Curitiba

Albari RosaAlto riscoPaulo Alencar: ‘‘Por mais que tenhamos cuidado, os riscos de contaminação e infecção são muito grandes’’O projeto de constituir um Banco de Ossos para enxertos no Hospital das Clínicas pode naufragar por falta de recursos. Ao todo, o HC precisa de R$ 100 mil para formar o banco, que seria o único do Brasil capacitado para armazenar e analisar grande quantidade de ossos. Até agora, no entanto, depois de várias campanhas de arrecadação, o hospital conseguiu juntar apenas R$ 33 mil. Enquanto a quantia necessária não for obtida, os médicos terão que continuar utilizando próteses ou ossos de qualidade questionável, reduzindo também o número de cirurgias.
‘‘Falta vontade política e conhecimento sobre a importância de um banco como este’’, diz o médico ortopedista e membro da comissão técnica do Banco de Ossos, Gerson Tavares, reclamando da falta de apoio oficial recebida pela idéia. Ele cita exemplos de outros países, como os Estados Unidos, onde os bancos de ossos são muito utilizados e merecem a atenção especial dos órgãos ligados à saúde. Hoje, a média de enxertos de ossos realizados no Paraná não passa de 1,5 mil por ano. Depois da criação do banco, o número de cirurgias no Estado poderá chegar a 10 mil. ‘‘Há uma grande demanda por enxertos, que acabam sendo resolvidas de outras maneiras por falta de material’’, explica o médico.
Desde que o uso de ossos começou a ser feito pelo Hospital das Clínicas, há 30 anos, o material vem sendo armazenado em um freezer emprestado pela equipe do Banco de Sangue do HC. Na atual estrutura - considerada ‘‘coisa de amador’’ pelos próprios médicos responsáveis pelo banco -, os ossos não passam por exames rigorosos capazes de detectar doenças. ‘‘Por mais que tenhamos cuidado, os riscos de contaminação e infecção são muito grandes’’, afirma o médico Paulo Alencar, um dos idealizadores do Banco de Ossos do HC. Depois da criação do banco, o médico afirma que os riscos de complicações provocadas pelos enxertos serão mínimos. ‘‘Funcionará como um banco de sangue, onde o material só é utilizado depois de ser testado’’, diz.
Pelos cálculos feitos pelos médicos, cada um dos exames de teste de doadores custa em média US$ 5 mil e são necessários para afastar riscos de contaminação por doenças como sífilis, Aids e hepatite B. Para a aquisição dos freezers com capacidade ideal de armazenamento de ossos, produzidos no Japão, os médicos calculam que deverão gastar cerca de US$ 60 mil. Há também custos altos na remuneração da equipe médica responsável pala retirada dos ossos. ‘‘Hoje os médicos estão trabalhando de graça, financiando os enxertos com o próprio bolso’’, diz Tavares.
Se o projeto do Banco de Ossos sair do papel, os médicos pretendem conversar com pessoas ligadas ao Ministério da Saúde para tentar incluir os gastos de exames e processamento de ossos na lista de cobertura do Sistema Único de Saúde (SUS). Até lá, os médicos pretendem sensibilizar a socidedade e as autoridades para investir na idéia. ‘‘Vamos bater de porta em porta para conseguir dinheiro’’, avisam.

mockup