Quatro anos depois que um crime ambiental atingiu o Ribeirão Lindóia, afluente direto do Ribeirão Jacutinga, a Universidade Estadual de Londrina (UEL) vem trabalhando para tentar reperar os danos através do reflorestamento da mata ciliar. Criado em 2003, o Programa de Reflorestamento do Ribeirão Jacutinga já plantou mais de 77 mil mudas de árvores nativas.
A bióloga Tais Benato, que participa das atividades desde o início, explicou que o projeto é uma das ações previstas no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), estabelecido entre o Ministério Público e a Companhia Brasileira de Petróleo Ipiranga, em decorrência do vazamento de óleo diesel no Pool de Combustíveis de Londrina, ocorrido no segundo semestre de 2002. O vazamento acarretou em infiltração de óleo no solo e no lençol freático e lançamento indireto desse óleo no Ribeirão Lindóia, afluente direto do Ribeirão Jacutinga e um dos principais rios componentes da bacia.
''O projeto busca restaurar as áreas de preservação permanente na bacia do Ribeirão Jacutinga. Usamos técnicas baseadas principalmente em plantio de mudas, regeneração natural e semeadura direta, para a restauração das áreas degradadas, utilizando espécies arbóreas nativas da região'', disse. De acordo com o Laboratório de Biodiversidade e Restauração de Ecossistemas (Labre) da UEL, responsável pelo projeto, a Bacia do Jacutinga abrange áreas nos municípios de Cambé (onde está sua nascente), Londrina e Ibiporã. O Ribeirão Jacutinga desagua no Rio Tibagi.
O produtor rural Anísio Boszczowski, que possui uma propriedade de 30 hectares na região de Londrina, por onde passa o Córrego Fundo, foi um dos primeiros a plantar as mudas produzidas pelo Labre. Segundo ele, cerca de mil mudas foram plantadas e hoje, com a área completamente reflorestada, ele se diz bastante satisfeito com a medida. ''Foi muito bom em vários aspectos. Quando chove, a água da chuva acaba sendo filtrada e não escorre com tanta força como era antes. Começaram a aparecer vários bichos que há anos eu não via, como a cutia, e pássaros como o pica-pau. Sempre tivemos essa preocupação ambiental e hoje estou feliz por ter feito a minha parte'', comentou.
Mas, segundo os alunos de Ciências Biológicas que trabalham diretamente com o projeto, muitos proprietários de terras são resistentes. ''Muitos não querem plantar porque se queixam da área de 30 metros. Outros dizem que por causa da mata a propriedade acaba possibilitando a entrada de desconhecidos. O mais difícil que seria a compra das mudas, o projeto fornece gratuitamente e também prestamos toda assistênca técnica sobre como plantar e qualquer outras dúvidas'', comentou a mestranda em Ciências Biológicas, Carolina Cainelli Oliveira.
Apesar da resistência, os resultados do projeto têm sido positivos. Desde o início até março deste ano, 110 propriedades, em Cambé e Londrina receberam visitas da equipe do Labre, das quais mais de 50 realizaram ou estão realizando o plantio das mudas. Só em Ibiporã, foram atendidas 66 propriedades. Dados do Labre mostram também que em Ibiporã já foram restauradas todas as áreas de preservação ribeirinhas da Bacia do Jacutinga, desde a divisa com o município de Londrina até a captação de água em Ibiporã.


POR QUE REFLORESTAR?

A mata ciliar protege o rio e garante uma melhor qualidade da água. Os proprietários de terras da região podem participar do Projeto Jacutinga.
Saiba como:

- Preparar a terra para o plantio
- Plantar as mudas
- Realizar a manutenção (rega, coroamento, roçagem, controle de formigas)
- Replantar mudas mortas
- Comunicar a equipe do Labre sobre qualquer eventualidade
- As mudas das árvores nativas são fornecidas gratuitamente pelo projeto

Serviço
- Proprietários de terras da região da Bacia do Jacutinga interessados em partipar do projeto podem entrar em contato com o Labre pelo telefone (43) 3371-4509.

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