Quando o conhecimento produzido nas das universidades ganha as ruas, o benefício é dividido para toda a sociedade. É este espírito que alavanca, já há seis anos, o projeto de extensão ''Direito à Justiça aos Dependentes Químicos do Ministério Evangélico Pró-Vida'' (Meprovi), desenvolvido pelo Escritório de Aplicação de Assuntos Jurídicos (EAAJ) da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Atendendo tanto internos da instituição quanto as famílias deles, os futuros advogados aprofundam o conhecimento e, de quebra, ainda devolvem um pouco de esperança para aqueles que têm pendências com a Justiça.
Na tarde de ontem, depois de acompanharem divididos o confronto entre alemães e argentinos, os internos tiveram mais um dia de atendimento individualizado. Antes, porém, eles assistiram uma palestra com a professora de Direito Penal da UEL, Luciana do Carmo Neves. Ela focou a Lei Antitóxicos, sobretudo os artigos 12 e 16 que tratam do tráfico e porte de substância entorpecente respectivamente. A professora abordou ainda aspectos bio-psicossociais da drogadição como questões familiares, influências do circulo de amizades, o consumismo que desperta prazeres diversos (incluindo drogas) e o poder da mídia na estimulação de consumo de drogas lícitas, como o álcool e o cigarro. ''Se uma pessoa tem uma certa tendência, tudo isso pode ser porta de entrada para as drogas ilícitas'', destacou a professora do curso de Direito. O projeto acompanha atualmente 250 processos de internos e ex-internos.
Internado há seis meses no Meprovi, o vidraceiro João (nome fictício) confia que as coisas estão mudando para melhor. O rapaz de 24 anos começou a usar as mais diversas drogas há 10 e viu sua vida desabar. ''Acho que (comecei a me drogar) um pouco por causa das companhias. Outra coisa foi a morte da minha mãe quando eu tinha 13 anos. Vinte dias depois meu pai se casou com outra mulher, de terno, gravata e tudo'', confessou com ar de ressentimento. Após ser preso por cinco vezes três por assalto à mão armada o rapaz viu que precisava procurar ajuda. Se internou no Meprovi e, desde então, se mantém limpo. Há três meses, ganhou o direito de visitar familiares e já passou por momentos de provação mas não teve recaídas. O rapaz acredita que assessoria jurídica e o internamento podem ajudá-lo a convencer a Justiça de que quer realmente mudar. Além disso, as duas coisas podem ajudá-lo a realizar um outro sonho: ir morar com uma irmã nos Estados Unidos.
Mas não é só quem recebe atendimento sai ganhando. No 4º ano de Direito, Isabela Centola destacou que como participante do projeto está aprendendo mais do que simplesmente a prática da profissão. ''Os internos são muito abertos e não escondem nada. Com isso, a gente acaba pegando um conhecimento sobre a vida muito grande'', salientou a estudante.
Para a instituição, a ajuda dos acadêmicos da UEL também é fundamental, observou o administrador do Meprovi, Urias França Júnior. Ele lembrou que muitos internos não têm condições de bancar advogado. ''A droga traz consigo uma série de consequências para a vida dos dependentes e a maioria dos que são internados chega com pendências com a Justiça ou a família'', apontou França Júnior. E ressaltou que o tratamento seria pouco eficiente se buscasse resolver apenas o problema da dependência química sem considerar as demais dificuldades dos dependentes.

Serviço Mais informações sobre o atendimento prestado pelo Meprovi ou sobre doações pelo telefone (43) 3339-4334.

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