Projeto deturpa proposta de centro cívico
Israel Reinstein
De Curitiba
A reforma da Praça Nossa Senhora de Salete representa para algumas pessoas uma deturpação da proposta inicial do Centro Cívico, em Curitiba. As alterações estipuladas pela prefeitura, em solicitação do governo estadual, prevê inclusive a colocação de grades na praça. O projeto pedido por Bento Munhoz da Rocha (ex-governador) seguia os ares dos conceitos modernos, baseado na idéia da ágora, do fórum romano, explicou a professora do curso de Arquitetura da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Jocilena Gonçalves.
Jocilena, que está preparando uma tese de mestrado sobre as obras construídas para o centenário da Emancipação do Paraná, entende que está acontecendo um desvirtuamento do local. O conceito de centro cívico estabelece espaço para que os cidadãos possam se manifestar e protestar, afirmou. Para a professora, as mudanças estabelecidas demonstram um claro sinal de isolamento do poder.
A posição do governo em utilizar quadras poliesportivas para impedir protestos e manifestações entra em choque com os conceitos de urbanismo, avaliou o arquiteto e urbanista Marco Alzamora. Para ele, equipamentos urbanos devem ser utilizados apenas quando necessário. É uma visão antidemocrática, que não prevê diálogo, complementou o professor do curso de Arquitetura da UFPR, Aloísio Schmid.
Opinião contrária No entanto, essa visão não é a mesma do arquiteto Orlando Busarello. Ele entende que é compatível a convivência entre quadras poliesportivas e um centro cívico. Nada impede a manifestação, mas o erro está na colocação de um gradil que limita o acesso, avaliou.
Porém, o presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), Luiz Hayakawa, considera que as pessoas não podem ficar presas a projetos antigos. A cidade cresceu e tem outra demanda, afirmou, ao justificar a implantação de quadras de esportes. Quanto ao gradil, ele considera indispensável para definir as entradas da praça e proporcionar segurança aos usuários.
Para Hayakawa, o projeto estabelecido pelos dois poderes obedecem os decretos que definem as mudanças no Centro Cívico. A remodelação foi aprovada na comissão que gerencia as obras da praça, afirmou. Essa comissão, que antes previa a presença do setor de arquitetura, é composta pelo governo estadual e Ippuc.
Hayakawa entende que as manifestações contrárias seguem um cunho político. Quando os sem-terras deturparam o caráter da praça, ninguém protestou com a construção de padarias e casebres no local, afirmou. O presidente do Ippuc contrapõe as idéias afirmando que maiores erros cometeram quem autorizou a construção do prédio do Fórum de Curitiba sem seguir os padrões estabelecidos no projeto original. Hoje, o prédio está abandonado e a prefeitura não deve mudar a situação, até que saia uma decisão judicial.
Mas não é esta a visão do arquiteto Orlando Busarello. Para ele, as reclamações não são políticas. É preciso democratizar as decisões dos atuais líderes de governos, disse. Uma proposta seria a realização de um concurso público para remodelar a praça. Novas idéias apareceriam, enriquecendo a cidade e ajudando o Ippuc, que não conta em seu quadro com paisagistas, afirmou.Arquitetos dizem que local foi criado para dar espaço a manifestações populares, mas novo projeto isola governo
Albari RosaPRESENÇA INDESEJÁVELMesmo com a remodelação da praça, prédio do Fórum de Curitiba, que está abandonado, continuará intocável. Prefeitura quer esperar uma decisão judicial





