Projeto detecta falhas na audição de crianças
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terça-feira, 22 de junho de 2004
Camilla Rigi<br> Reportagem Local 
Para evitar problemas de linguagem que podem afetar o desempenho escolar de crianças entre 7 e 10 anos de idade, professores e alunos do 4º ano do curso de fonoaudiologia da Universidade Norte do Paraná (Unopar) estão realizando exames em alunos da rede municipal de ensino, durante toda a semana, para detectar falhas na audição.
Segundo a fonoaudióloga que coordena o projeto, Juliana Jandre Melo, os testes não dizem quais as causas do problema, mas somente se há alguma falha na audição. ''Vamos entrar em contato com os pais dos alunos que tiverem problemas e, depois, vamos encaminhar as crianças para um otorrinolaringologista'', explicou a professora.
Juliana informou que as deficiências auditivas consideradas leves e moderadas na maioria das vezes passam despercebidas pelos pais pois são muito discretas. ''Aproximadamente 4% das crianças na faixa etária de sete anos apresentam alguma alteração'', contou a fonaudióloga. Além das predisposições congênitas que afetam este sentido, como sequelas de uma rubéola gestacional, infecções constantes do aparelho auditivo também podem prejudir a recepção dos sons. ''Cerca de 30% dos casos de deficiência média são causadas por otites'', declarou Juliana.
Na manhã de ontem, 24 alunos da Escola Municipal Joaquim Vicente de Castro estiveram na Clínica de Distúrbios da Comunicação Humana da Unopar para fazer o teste de intaciometria, que detecta se há alteração da pressão do ouvido, e de audiometria, que determina a capacidade auditiva de cada pessoa. Dos 24 estudantes consultados ontem, sete deles apresentaram algum tipo de falha. ''Todos eles já foram pré-selecionados porque apresentavam alguma dificuldade de aprendizagem. Com a triagem podemos saber se há alguma relação com problemas auditivos'', contou a professora.
A estudante Carla Cristina dos Santos, de 8 anos, apresentou falha no exame de intaciometria. ''Eu sempre tenho dor de ouvido. Além disso, a minha mãe diz que eu ouço a televisão em um volume muito alto'', relatou a garota. A fonoaudióloga apontou alguns comportamentos que podem ajudar a detectar as deficiências, como notar se a criança ouve TV muito alto. Falta de atenção e baixo rendimento escolar também podem ser indícios de falhas. Contudo, na dúvida, Juliana aconselha a procurar um otorrinolaringologista.
Nesta primeira semana do projeto serão atendidas crianças de 12 escolas da Zona Sul de Londrina. ''Quando fizemos parceria com a Secretaria de Educação, vimos que tinha um número grande de escolas e por isso tivemos que restringir. Mas existe a intenção de realizar o projeto em outras duas semanas ao longo do ano'', contou a fonaudióloga. Até sexta-feira, cerca de 300 crianças devem ser atendidas.


