Ortigueira - Os instrumentistas que executaram os hinos Nacional e do Paraná, ontem em Ortigueira (Norte), na cerimônia oficial de abertura do ano letivo na rede estadual, têm em comum a história de falta de acesso à educação musical. Antes da chegada do maestro Juarez Fernandes à cidade, a população nunca tinha convivido com um professor de música.
Convidado pela Associação Ação Social Colunas de Betel a assumir a responsabilidade de ensinar a arte em um projeto da igreja Assembleia de Deus, ele instalou-se em Ortigueira e, atualmente, comemora a superação do objetivo inicialmente proposto. ''Nossa intenção era proporcionar musicalização a crianças e adolescentes através do ensino da flauta doce. Hoje, temos uma banda com vários instrumentos que está prestes a ser municipalizada'', disse.
Mesmo com poucos recursos, ele conseguiu reunir os alunos, comprar instrumentos como tubas, clarinetes e saxofones e, o mais importante, tornou-os aptos a executar os mais variados estilos de canções.
''Já estamos encaminhando alguns deles para a profissionalização'', informou o professor, que a cada dia tem uma nova surpresa com os alunos. ''A cidade não tinha cultura musical e agora tem uma banda. O resultado do trabalho é muito gratificante.''. Com a municipalização, a expectativa dos músicos é obter mais recursos para a compra de instrumentos. ''Por enquanto, estamos usando muitas flautas doces.''
A enfermeira Lilian Gabriel Maia, 29 anos, sempre sonhou aprender música. Há dois anos, passou a frequentar as aulas do maestro Juarez Fernandez e, hoje, ocupa o posto de flautista transversal da banda musical. Entusiasmada, faz malabarismos para conciliar o horário do hospital onde trabalha com os momentos de ensaio. ''A música mudou minha vida. Ganhei disciplina e muita vontade de estudar'', revelou.
Qualidade de vida
Foi com objetivo de acompanhar o filho Felipe, 8 anos, que a comerciante Edna de Menezes, 34, começou a participar das atividades de musicalização. ''Sempre gostei, mas até então não tinha surgido uma oportunidade de aprender a tocar um instrumento'', disse ela, que assumiu a responsabilidade de tocar saxofone com o grupo. ''Hoje, tenho muito mais qualidade de vida'', garantiu.
A possibilidade de oferecer educação musical ao filho também é motivo de satisfação. ''Nós dois estamos na banda e ele gosta muito. Até comenta sobre a vontade de fazer faculdade de música e se profissionalizar'', contou Edna.
Aos 14 anos, a clarinetista Andressa Luhn estuda Música há três anos com o maestro Fernandes. ''Sempre tive muita vontade de aprender, mas não tínhamos professor'', disse. A adolescente admite que o aprendizado é difícil, mas encara as dificuldades com força de vontade. ''Gosto de participar da banda porque ocupa bastante o meu tempo. A música faz bem para todos.''

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