Projeto define prazo de atendimento
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terça-feira, 09 de dezembro de 2008
Carolina Gabardo Belo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Na sala de espera da Unidade de Saúde Ouvidor Pardinho, Região Central da Capital, mãe e filha aguardam a consulta com um especialista. Abigail Barbosa da Silva, 77 anos, que sofre de alzheimer, esperou um mês para que a consulta fosse agendada. Sua filha, que a acompanha na visita ao médico, conta que está há um ano e meio na fila para agendar uma ecocardiografia pelo Sistema Único de Saúde (SUS). ''Enquanto a gente espera, sem o resultado do exame, só pode agravar a situação'', reclama a filha de Abigail, Maria de Fátima da Silva Camargo, 56, sobre a demora em conseguir uma consulta com o especialista e a realização do exame.
A responsável pelo apoio técnico da chefia da unidade, Marceli Fernanda da Costa da Silva, explica que a demora no agendamento de consultas é decorrente da grande procura pelos especialistas que atendem idosos. Na unidade são realizados aproximadamente 900 atendimentos por dia - entre jovens, adultos e idosos - e as especialidades mais procuradas pelas pessoas com mais de 60 anos e que apresentam maior demora para agendamento das consultas são ortopedia, cardiologia, dermatologia e neurologia. De acordo com ela, os pacientes mais graves são encaminhados aos locais de atendimento especializado, onde são solicitadas vagas extras.
Abigail, junto com os 155,5 mil idosos de Curitiba são o público-alvo de um projeto de lei municipal que pretende definir o prazo máximo de sete dias para o agendamento de consultas e exames para idosos no sistema público de saúde. O autor da proposta, vereador Jorge Bernardi (PDT), argumenta que a demora no agendamento destes serviços coloca em risco a saúde dos usuários. A proposta define ainda penalidades previstas no Estatuto do Idoso e no Estatuto dos Servidores Públicos de Curitiba. O projeto de lei está em análise nas comissões permanentes da Câmara Municipal, em que vai receber um parecer que pode aprovar ou não a continuidade do trâmite da matéria.
A diretora do Centro de Assistência à Saúde da Prefeitura de Curitiba, Ana Luiza Gondin, explica que a estrutura da saúde pública na Capital considera o estado de saúde do usuário, independente se criança, jovem, adulto ou idoso. Os pacientes formam dois grupos de assistência, a de emergência ou a eletiva. Fazem parte do grupo de assistência eletiva os usuários que dependem da oferta das consultas especializadas e formam uma fila de espera. No caso da necessidade de atendimento imediato, a consulta é priorizada (ele ''passa na frente'' dos pacientes que estão na fila e não correm riscos) ou é agendada uma consulta extra, mediante indicação de um médico. Já os pacientes de emergência recebem atendimento prioritário.
Ana Luiza ainda ressalta que o excesso de demanda para as consultas em especialidades é causada muitas vezes por problemas pontuais, que, depois de aliviados, não são levados adiante pelos pacientes. O município registra um índice de aproximadamente 30% de faltas às consultas. ''A pessoa não vai, mas ocupou um espaço na fila e protelou quem estava precisando da consulta.'' Ela afirma que está em andamento um projeto de educação aos usuários do sistema de saúde. ''O acesso a ação de saúde deve ser pautada pela necessidade, tem que ser vista com racionalidade. É preciso que se restrinja o acesso aos procedimentos com a real necessidade'', diz.


