Curitiba - Desta vez, parece que vai sair do papel. O plano de tirar os trilhos de trem do miolo da cidade e formar uma nova malha ferroviária no entorno de Curitiba já havia sido cogitado entre 2001 e 2002, mas fracassou por falta de financiamento. Agora, a prefeitura tem um projeto em parceria com o governo federal, através do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes do Paraná (Dnit), e a verba deve sair. É o que espera a administração pública, que prepara a primeira etapa do processo - a licitação para escolher o projeto que será implantado - ainda sem data para acontecer.
A opinião dos moradores, especialmente os que trabalham ou residem ao lado de trilhos, varia. Os amigos Ivo da Silva, 63 anos, e Rui Bertagnoli, 60, se encontram diariamente na Avenida Anita Garibaldi, em frente ao local conhecido como Estribo Ahú. Ali, onde a prefeitura recentemente revitalizou o asfalto, as calçadas e o monumento que marca a antiga estação de trem, os trilhos integram a rotina do bairro. Rui afirma que a retirada dos trilhos traria benefícios para a região. ''O trânsito iria ficar menos engarrafado e poderia ter mais comércio daquele lado, onde passa o trem'', aponta.
Mas o aposentado Ivo não está nem aí para o trânsito. Muito menos para o barulho do apito, que tanta gente reclama. Para ele, é importante que as novas gerações conheçam esse meio de transporte tradicional e barato. ''Eu quero que meus netos e bisnetos possam andar pela cidade de trem.''
No Alto da XV, na altura da Rua Itupava, os trilhos do trem são rodeados por muito verde. Árvores frondosas, ciclovia e muitos pedestres estão no cenário ao longo da ferrovia naquela região. Dono de uma banca de revistas, Gregório de Bem diz que, por ali, a prefeitura promete fazer um parque linear, no lugar da ferrovia. Ele agradece. ''Seria muito bom para melhorar o trânsito. E precisa melhorar a segurança também'', aponta o comerciante, lembrando que, no local, circulam bandidos que roubam carros e arrombam casas constantemente.
Multimodal
O projeto batizado de Plano Diretor Multimodal foi apresentado recentemente pelo prefeito Beto Richa (PSDB) para um grupo de engenheiros, arquitetos e especialistas na área de construção civil, envolvendo o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Paraná (Crea), Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), Instituto de Engenharia do Paraná e Sindicato dos Arquitetos e Urbanistas do Paraná.
A ideia é implantar uma conexão rodoviária, ferroviária, cicloviária, portuária e aérea, fora dos limites da Capital. O Plano Multimodal, além do apoio do Dnit, conta com aval de prefeitos da Região Metropolitana de Curitiba. Também molda-se perfeitamente aos planos da Capital sediar jogos da Copa do Mundo de 2014.
O projeto inicial desenvolvido pelo Instituto de Planejamento e Pesquisa de Curitiba (Ippuc) e o Dnit aceita modificações. Mas o cerne não deve mudar: trata-se da desativação do ramal ferroviário em Curitiba, Almirante Tamandaré e Pinhais, numa extensão de 41,2 quilômetros.
Entre as vantagens listadas, a saída dos trilhos deve trazer mais espaço para bicicletas, carros e ônibus, reduzir os acidentes e a poluição sonora e, supostamente, promover melhoria ambiental e social.

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