Albari RosaJosé Pereira, comerciante: ‘‘Há 18 anos havia 50m de praia aqui’’Os moradores de Matinhos, no Litoral do Paraná, esperam ansiosos e cheios de dúvidas as obras do projeto Costeiras, para alargamento da faixa de areia da praia, anunciadas há vários meses, mas que até agora não começaram. Na beira-mar, já estão as tubulações de ferro que serão usadas na dragagem da areia do fundo do mar, que vai ser despejada na praia. A draga, trazida da Holanda pelo consórcio holandês-brasileiro Tucumã/Norham, está ancorada em Pontal do Sul. Segundo o coordenador do projeto, Marcos Muller, da Superintendência de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Suderhsa), o equipamento está pronto para ser usado, mas o mar muito agitado está impedindo os trabalhos.
O consórcio foi contratado no final do ano passado, mas a licença do Ibama só saiu no início de fevereiro deste ano. Depois de ser colocada uma parte da tubulação, há duas semanas foi feita a primeira tentativa de dragagem, mas o mar estava muito agitado e o equipamento quebrou. Agora a equipe espera que o tempo melhore, pois só com o mar mais calmo será possível retomar os trabalhos. ‘‘Em 15 dias podemos concluir a dragagem, desde que o tempo ajude’’, explica Muller. Serão transferidos mais de 300 mil metros cúbicos de areia para a praia, ao custo de R$ 1,5 milhão. Nesta primeira etapa não haverá modificações nos rios.
Mas, segundo os pescadores de Matinhos, o mar já está calmo. ‘‘Se eles esperam que fique mais parado que isso, numa praia de mar aberto, talvez as obras demorem mais do que a gente pensa’’, diz o presidente da Colônia dos Pescadores, Rubens da Silva Ramos. Ele teme também que sem um gabião de pedras para segurar a força do mar, todo o trabalho seja destruído rapidamente pelas ressacas.
Albari RosaTrabalho das dragas pode ser rapidamente destruído pelas ressacas
O secretário de Urbanismo e engenheiro civil Luiz Fernando Freire também tem dúvidas sobre o sucesso das obras, caso não sejam canalizados os dois rios que deságuam no trecho. ‘‘Acho que o movimento da maré vai retirar a areia pelas bordas dos rios e destruir o trabalho’’, diz. Para Freire, não foi o mar que invadiu a cidade, mas as pessoas é que se instalaram no espaço do mar. ‘‘É pura especulação imobiliária’’, afirma.
O coordenador do projeto Costeiras diz que foi realmente a cidade que avançou sobre o mar, acabando com o equilíbrio da praia. Ele argumenta que a o alargamento da faixa de areia é de pequeno porte. Se não der certo, então será o caso de mudar de estratégia. ‘‘O que estamos fazendo é um miniengordamento. Na Inglaterra, foi feito um engordamento de U$ 20 milhões em mais de 20 quilômetros de praias’’, conta.
O comerciante José Pereira tem uma lanchonete há 18 anos na Praia de Matinhos e diz que, quando chegou, havia 50 metros de praia em frente ao seu estabelecimento. ‘‘Este lote foi comprado em 1948 e nas fotos dá pra ver que tinha uma praia aqui’’, conta.

mockup