Projeto de poliduto é avaliado pelo IAP
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sexta-feira, 06 de dezembro de 1996
Marccio W. Varella 
O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) já está avaliando o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) apresentado pela Petrobrás para a construção de um poliduto de 413,5 quilômetros entre a Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária (região metropolitana de Curitiba), e os municípios de Londrina e Maringá. A preocupação dos técnicos do IAP é com a possibilidade de vazamento dos derivados de petróleo nas bacias do Pirapó, que abastece a região de Maringá, e do Tibagi, que abastece Londrina.
Se o EIA for aprovado, a construção do poliduto, que escoará gasolina, óleo diesel e gás de cozinha (GLP), terá início em maio. A obra, segundo cálculo da Petrobrás, levará 18 meses para ser construída e custará US$ 180 milhões. A Petrobrás terá o retorno do investimento em quatro anos.
A base do poliduto em Maringá será financiada pelas empresas distribuidoras de derivados do petróleo e deverá custar R$ 35 milhões. Ela será construída num terreno de 12 alqueires, que já está sendo desapropriado pela prefeitura, na beira da rodovia que liga Maringá a Astorga. O Relatório de Impacto Ambiental (Rima), que é um resumo do EIA, chegou ontem ao secretário do Meio Ambiente de Maringá, Paulino Mexia. Segundo ele, existem pontos positivos e negativos que certamente serão avaliados com isenção pelo IAP.
Entre os pontos positivos, Mexia destaca a instalação de indústrias na região, com o GLP mais barato (os combustíveis terão seus preços reduzidos), os cerca de mil empregos que a obra vai gerar, a retirada de 400 caminhões-tanque das rodovias da região e a geração de impostos para a Prefeitura de Maringá. Pelos cálculos do técnico João Dória, da Petrobrás, a prefeitura vai arrecadar R$ 750 mil por mês de ICMS, o que representa 50% do R$ 1,5 milhão arrecadado hoje das distribuidoras na região.
Para aprovar o EIA da Petrobrás, elaborado pela empresa de engenharia Engemin, o IAP deverá promover uma audiência publica para a apresentação dos prós e contras da construção do poliduto. Deverão participar desta audiência Organizações Não-Governamentais, universidades, cientistas, professores e o público em geral. O EIA deverá ficar em local público à disposição de qualquer pessoa interessada. Além disso, será feita uma ampla campanha na mídia para divulgação do EIA.
Mexia afirma que o ponto mais delicado desta obra será a possibilidade de vazamento de derivados de petróleo nos mananciais de captação das bacias do Pirapó e Tibagi. O engenheiro-agrônomo do IAP de Maringá, Clóvis da Silva Lopes, lembra que quando petróleo vaza no mar ele não se mistura à água, pois é mais denso. Mas a gasolina e o diesel, produtos já refinados, se diluem na terra, o que pode comprometer para sempre esses mananciais de captação de água.
Uma das sugestões que Lopes pretende apresentar à Petrobrás é a instalação de válvulas de retenção a cada 200 metros do poliduto: Qualquer vazamento poderá ser contido com maior rapidez pelo sistema computadorizado que será implantado pela Petrobrás.
Mesmo com 1% de probabilidade de risco de vazamento, ainda assim é muito. Vamos ver com muito cuidado essa questão, faço parte da comissão que avalia o EIA da Petrobrás e, se for o caso, pediremos uma rota alternativa para o poliduto, afirma Lopes. Ele diz que uma mudança na rota poderia onerar a Petrobrás, pois o quilômetro construído de um oleoduto custa o mesmo preço de um quilômetro de asfalto. No Rima, a Petrobrás alerta para o perigo de poluição dos rios em caso de vazamentos, embora considere essa possibilidade bastante remota.
A Petrobrás denominou a obra de Orlom (Oleoduto Repar/Londrina/Maringá). O diâmetro dos tubos de aço carbono será de 10 polegadas (25,4 cm) entre Araucária e Londrina e de oito polegadas entre Londrina e Maringá. A capacidade de transporte do poliduto é de 210 milhões de litros por hora, o equivalente a sete caminhões-tanque. As tubulações serão enterradas a um metro do solo e protegidas por corrente elétrica. Entre rios e riachos, a tubulação será aérea.
O poliduto Orlom será composto de uma estação de tratamento na Repar, em Araucária, de um duto de aço carbono interligando a Repar à base de Londrina, de duas estações de bombeamento intermediárias no trecho Repar-Londrina, nos municípios de Ponta Grossa e Curiúva, de uma base de armazenamento e transferência em Londrina, de um duto de aço carbono interligando as bases de Londrina e Maringá e de uma base de armazenamento e carregamento de caminhões-tanque em Maringá.


