Curitiba - A maioria das situações de violência desencadeadas dentro das escolas é consequência de conflitos do dia-a-dia vividos por estudantes, professores e funcionários e não tem relação direta com a violência vivida fora dos muros escolares. A avaliação é feita pela psicóloga Adriana Araújo, coordenadora técnica da ONG Projeto Não Violência (PNV), que durante esta semana reuniu especialistas no assunto em Curitiba para realizar palestras para diretores e líderes de 14 escolas públicas parceiras do projeto.
Segundo Adriana, a violência ocorre em igual intensidade em estabelecimentos públicos e privados, independentemente de classe social ou bairro. ''A violência começa com conflitos do dia-a-dia. É uma pessoa que não vai com a cara da outra, daqui a pouco levanta a voz, discrimina, humilha'', diz. Segudo ela, outra prática constante em colégios é a intimidação, conhecida como ''bullying''. Ela acontece, em geral, vinda de alunos mais velhos ou mais fortes sobre alunos mais novos ou mais fracos. ''Chamamos de brincadeiras que machucam a alma. Começa com um mau apelido, dado de brincadeira, com o aluno que vai sendo colocado de lado'', explica.
Oriundo da Suécia, o PNV é aplicado em Curitiba desde 1998. Ao todo, dez escolas já seguiram seu programa e outras 14 estão com a parceria em andamento. O projeto prevê três anos de atividades por meio de cursos dirigidos a estudantes, pais, professores e funcionários, que vão aprender a lidar com as situações de violência.
''As formas mais comuns de violência são agresão verbal e física, indisciplina com as normas, no relacionamento com funcionários e professores'', conta Osvaldo Alves de Araújo, diretor da Escola Estadual Hildebrando de Araújo, que há um ano é parceira do PNV. Para ele, a parceria está surtindo resultados, uma vez que todos os envolvidos na escola estão buscando ''um pacto de convivência, de cultura da paz''.
Segundo o especialista no combate à violência escolar, Feizi Milani, autor do livro ''Tá Combinado-construindo um pacto de convivência na escola'', que coordenou uma oficina, ontem de manhã, com diretores de 14 escolas, a violência nos colégios pode ter várias causas. ''Podem ser causas sociais, do contexto onde a escola está situada ou causas internas de cada escola'', afirma. É o caso da escola que tem a postura de discriminar os estudantes em função da classe social ou determinado comportamento, por exemplo.
Adriana também cita, como uma das causas, a ausência de liderança efetiva na escola. ''Se o diretor não é presente, se ele não se posiciona, os alunos ficam sem um líder efetivo, que é quem deveria dizer o que pode ou não fazer'', diz. Por isso, de acordo com Milani, há necessidade de se fazer intervenções com todos os envolvidos, entre alunos, docentes e comunidade, provocando reflexões sobre o papel da liderança, a diferença entre liderança e chefia e, principalmente, a necessidade de envolvimento de todas as partes na tomada de decisão dentro da escola.

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