Projeto de música amplia atendimento
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segunda-feira, 06 de setembro de 2004
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
A comunidade do Jardim Nossa Senhora da Paz (Zona Oeste de Londrina) se acostumou a acompanhar pela imprensa apenas notícias negativas relacionadas principalmente à casos de homicídios e tráfico de drogas. Há cerca de um mês, no entanto, a Folha veiculou reportagem sobre um projeto social desenvolvido no bairro que ensina música a adolescentes e que estava precisando de voluntários. Foi o bastante para a solidariedade das pessoas transformar o que era necessidade em realidade. A coordenação do projeto conseguiu ampliar o atendimento e hoje oferece oportunidades a cerca 60 jovens.
A musicista Rosane Moraes, 25 anos, foi uma das que decidiu cooperar. Com formação acadêmica pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), a jovem professora estava acostumada com as aulas particulares que dava em casa. Desde a semana passada, porém, ela dá aulas de flauta doce para uma classe de 10 curiosos aprendizes em uma sala da Paróquia Nossa Senhora da Luz. ''Em grupo, é minha primeira experiência e está sendo ótimo'', valoriza. Ontem, cada um recebeu seu instrumento e agora poderão estudar em casa. O grupo nem bem começou a aprender os segredos do instrumento e já tem planos de estrear nos palcos no final do ano.
Bárbara Alves de Souza, 12 anos, já fazia aulas de coral do projeto e agora começou a aprender flauta doce. ''Quero continuar fazendo os dois'', fala timidamente. As aulas de coral, por sinal, são dadas por uma das alunas do curso de flauta: Eva Sandra Inácio da Silva, 27 anos. Ela revela que começou a trabalhar com as crianças há cinco anos e meio por acaso e improvisadamente por causa da falta de formação específica. ''Foi pela vontade que tinha de evangelizar as crianças do bairro'', diz ela. Além disso, ajuda os alunos nas tarefas escolares.
De acordo com a coordenadora pedagógica do Centro de Educação Infantil Irmãs de Bethânia, que mantém o projeto, lembrou que tudo começou há três anos, com apenas dois alunos, nas paróquias Imaculada Nipo-brasileira e Rainha dos Apóstolos. ''A gente vai percebendo que não é preciso muita coisa para ajudar os outros'', ensina. Atualmente, já são cerca de 60 alunos frequentando aulas de violão, violino, teclado, flauta doce, coral e técnica vocal. Os alunos participam das missas nos finais de semana e também já faz shows pela cidade. Uma das últimas apresentações foi na inauguração da loja do Hiper Muffato, na avenida Tiradentes. E para atender mais gente, o Centro está precisando de mais instrumentos e de professores de violino e violão.


