Projeto de moradia popular chega ao jardim Olímpico
PUBLICAÇÃO
sábado, 06 de setembro de 1997
Lúcio Horta Londrina 
Dorico da SilvaMãos à obraA primeira casa: objetivo é construir 100 moradias no bairro O projeto de habitação popular Onde Moras, desenvolvido pelo engenheiro Maurício Tadeu Alves Costa, já chegou até o jardim Olímpico 2, na zona oeste de Londrina. Essa semana, um grupo de 10 famílias começou a construir no local, em sistema de mutirão, a primeira casa, inteiramente feita a partir de material reaproveitado. A idéia é que em breve sejam levantadas pelo menos 100 casas no mesmo bairro.
Até agora, o projeto tinha sido executado apenas no jardim Marabá (zona leste), onde já foram construídas 17 casas, sempre para famílias de baixa renda. Uma outra casa também foi montada este ano durante a 37ª Exposição Agropecuária de Londrina, no Parque Ney Braga, para mostrar a experiência londrinense para políticos de outras regiões e até do exterior durante o evento.
A nossa meta geral é construir 500 casas em Londrina por esse sistema, em diversas regiões da Cidade, aponta Maurício. Cada casa do Olímpico terá 40 metros quadrados, com dois quartos, sala, cozinha e banheiro. E estará pronta em apenas 15 dias de trabalho, a um custo de R$ 500. Por isso, no máximo em seis meses todas as 10 famílias já estarão morando na nova casa. Em todos os casos, observa Maurício, as famílias tinham a posse do terreno, com a escritura legalizada na Cohab.
O Onde Moras já é conhecido em Londrina por oferecer às populações mais carentes, principalmente favelados, uma opção viável de moradia. Segundo Costa, o princípio básico do projeto é o aproveitamento quase que total do material que seria demolido em reformas ou mesmo na construção de novos prédios. Uma construtora, por exemplo, ao invés de pagar pela demolição, chamaria um grupo de famílias interessadas. Esse grupo faria o serviço gratuitamente, sob orientação profissional, aproveitando tudo o que for possível. Sem transformar o material em lixo.
Por isso o custo da obra acaba ficando tão baixo, em média R$ 500 cada casa, para compra apenas de cimento, areia, pedra, cal e ferro. O restante vem do material retirado das demolições: tijolos, madeiramento, telhas etc. Maurício Costa lembra ainda que, para poder conseguir alcançar a meta de 500 casas construídas pelo sistema na Cidade, foi feito um importante convênio com a Universidade Estadual de Londrina (UEL). Pelo convênio, estagiários do curso de Engenharia irão acompanhar a execução e o desmanche das construções, sempre sob orientação de professores e profissionais da área. Além disso, o curso de Serviço Social vai contribuir no cadastramento das famílias, impondo critérios técnicos de seleção.
João Carlos Miguel, 38 anos, espera que em um mês ele já se mude do barraco que vive com a mãe e a irmã há três anos, no Olímpico 2, para a nova casa. Se não fosse dessa forma eu não teria condições. Em casa está todo mundo contente, disse, enquanto trabalhava no alicerce da primeira casa do bairro (a casa dele será a próxima a ser construída).
A animação também era grande para Ednaldo Mariano, 26, casado e pai de dois filhos. Há seis meses ele comprou terreno no Olímpico 2, onde levantou um barraco, e acredita que se não fosse pelo projeto ele dificilmente conseguiria em tão pouco tempo ter uma boa casa para morar com a família. Foi bom demais, uma ajuda e tanto.
Enquanto trabalham na construção das casas, por aproximadamente seis meses, as dez famílias atendidas pelo projeto Onde Moras estarão também recebendo cestas básicas de funcionários do Banco do Brasil. O convênio foi assinado na última sexta-feira, no próprio Olímpico 2, e contou com a participação dos moradores, funcionários do banco e também do presidente do Conselho de Administração da Folha, João Milanez.
Maurício Costa explica que, embora a maioria das pessoas atendidas pelo programa estejam desempregadas, elas acabam ganhando dinheiro para sustentar a casa fazendo bicos na Cidade. Durante o período em que estiverem construindo as casas, no entanto, as famílias não teriam tempo para isso, inclusive para que a meta de uma casa construída em cada 15 dias seja alcançada. Daí a importância das cestas básicas. No caso das famílias do jardim Marabá, por exemplo, as cestas também estão sendo doadas, desta vez pela Sercomtel S/A.
O engenheiro diz que também pretende construir uma creche no Olímpico 2 para as famílias atendidas pelo Onde Moras, feita com material reaproveitado. Para isso, ele conta com a doação de uma área no bairro por parte da prefeitura. Costa destaca ainda que qualquer pessoa que for demolir um casa ou outro tipo de construção e quiser colaborar com o projeto pode entrar em contato com ele, pelo fone 995.4841.


