Projeto de microbacia ganha prêmio de meio ambiente
A Associação de Moradores da Bacia do Campo (Riocam), em Campo Mourão, ficou em primeiro lugar no 3º Prêmio Paraná Ambiental, categoria proteção de recursos hídricos. O prêmio, criado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente, Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), foi entregue esta semana durante solenidade no Palácio Iguaçu, em Curitiba. Participaram 97 projetos em 10 categorias.
A Riocam ganhou o prêmio devido ao trabalho ambiental e de preservação de solos desenvolvido na microbacia do Rio do Campo. Atualmente, 64 produtores fazem parte da associação. Eles desenvolvem o manejo integrado de pragas numa área de cerca de 4,5 mil hectares. Ganhamos o prêmio mostrando os resultados alcançados com o trabalho ambiental que é realizado na microbacia, explica o presidente da Riocam, Elson Buaski.
Segundo ele, o controle biológico de pragas já atinge mais de 70% da área. São produtores rurais que trocaram os agrotóxicos pelos inimigos naturais das pragas da soja, ressalta Buaski. O trabalho ambiental no Rio do Campo começou a ser realizado há mais de 20 anos, com o terraceamento mecânico, adequação das estradas rurais e reflorestamento das margens do rio. O Rio do Campo é o principal manancial de abastecimento da cidade.
O trabalho preservacionista se intensificou nos anos 80, com a implantação do plantio direto e o controle da poluição por agrotóxicos no rio através da instalação de abastecedouros comunitários. Também há mais de 10 anos começou a ser adotado na microbacia o controle biológico de pragas, com a utilização do baculovirus anticarsia no combate à lagarta da soja. A última conquista, há quatro anos, foi o uso da vespinha para combate ao percevejo da soja.
A vespinha (Trissolcus basalis) é produzida num laboratório comunitário montado na comunidade rural de Alto Alegre, que tem capacidade para produzir 800 mil insetos por ano. A vespinha é encontrada normalmente no ambiente, mas não em quantidade suficiente para o controle dos percevejos. Com o laboratório, os produtores de soja da microbacia do Rio do Campo soltam grandes quantidades do inseto em determinadas fases da lavoura.
Além de reduzir os custos de produção, o controle biológico também evita a contaminação do meio ambiente e as intoxicações provocadas pelo uso de agrotóxicos. Ao mesmo tempo, melhora a qualidade da água do rio. A estação de tratamento da Sanepar em Campo Mourão, por exemplo, diminuiu a aplicação de sulfato de alumínio no tratamento da água, uma vez que o índice de turbidez foi reduzido em cerca de 10 vezes em 15 anos.DivulgaçãoVista aérea da microbacia do Rio do Campo: manejo integrado de pragas, plantio direto e controle da poluiçãoSid Sauer





