Projeto de meio ambiente é premiado
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segunda-feira, 19 de julho de 2004
Lúcio Flávio Moura<br> Reportagem Local 
Campo Mourão Escritório de dia, sala de aula à noite, trabalho de campo nos finais de semana, muitos ''não'' para propostas de recreação de amigos e familiares. A rotina puxada de dois estudantes de Tecnologia Ambiental da unidade Campo Mourão do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) rendeu reconhecimento de uma publicação nacional, um certificado e um troféu.
O agente administrativo da Sanepar Roberto Ragazzi e o fiscal de Meio Ambiente da prefeitura Nilson Tonetti ainda estão comemorando a conquista do prêmio Super Ecologia 2004, segmento flora, concedido pela revista Super Interessante, publicação mensal da Editora Abril. O projeto concorreu com outros 247 trabalhos de todo o País.
A láurea é resultado do trabalho de conclusão de curso da dupla denominado ''Recuperação da Área Degradada em Plantio de Espécies Arbóreas Nativas Utilizando Lodo de Esgoto'', orientado pelo professor Marcelo Galeazzi Caxambu. Traduzindo a iniciativa ecologicamente correta: 1,5 hectare do lixão desativado da cidade foi reflorestado com espécies nativas do Paraná e adubado com toneladas de lodo de esgoto. ''Eu e o Nílson sabíamos dos dois problemas e decidimos fazer um trabalho com duas soluções'', explica Ragazzi.
Depois de escolher o tema, a dupla começou a trabalhar de fato no segundo semestre do ano passado. Contaram com apoio do Cefet, que doou R$ 1 mil a fundo perdido; da Sanepar, que fez as análises das quatro toneladas de lodo utilizados no projeto; da prefeitura, que transportou o lodo e doou as mudas. Foram plantadas paineiras, aroeira-pimenteira, cerejeira, bracatinga, loro-pardo e angico-vermelho.
Mas tanta colaboração e dedicação aos livros não livraram a dupla do trabalho braçal. Munidos de enxadas e picaretas, abriram 1,2 mil covas e aplicaram o lodo em boa parte delas. ''Foi muito esforço mas valeu a pena. Hoje já temos um modelo para recuperar áreas de antigo lixão, além de darmos mais um tipo de destinação para o resíduo do esgoto'', conta, orgulhoso, o funcionário da Sanepar. Ragazzi e Tonetti enfrentaram vários obstáculos como o afloramento do lixo com a enxurrada e, principalmente, o mau cheiro, muitas vezes, insuportável.
A área do antigo lixão desativado em 2001 fica ao lado da Vila Guarujá, periferia da cidade. O local tem 14 hectares. A experiência dos estudantes foi feita em pouco mais de 10% da área. O lodo foi aprovado como adubo e algumas espécies já atingiram cerca de 2,40 mde altura.
''Em cinco anos, a experiência vai apresentar resultados consolidados. Porém, com cerca de um ano de plantio, já dá para dizer que o lodo é tão bom quanto qualquer adubo orgânico'', avaliou Ragazzi, que deixou algumas plantas sem lodo para comprovar a eficiência do resíduo como fertilizante (no lodo encontra-se fósforo, potássio, magnésio, cobre, boro e zinco).
Os estudantes querem que o restante da área também seja reflorestada e possa, em breve, ser uma área de lazer para a população vizinha, antes habituada a frequentar o lixão para ''garimpar'' de tudo. Antes que este desejo se concretize, os dois gostariam que o local fosse cercado para evitar o trânsito de animais e crianças no local. ''Isto é perigoso'', alerta.


