Para muitas famílias no Brasil, as preocupações cotidianas vão além de questões triviais. A urgência está no prato vazio. Embora o país tenha apresentado avanços recentes, saindo do Mapa da Fome da ONU (Organização das Nações Unidas) e reduzindo a insegurança alimentar para menos de 2,5% em dois anos, segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, a realidade nas periferias ainda exige mobilização constante da sociedade civil.

É nesse cenário que atua a Adecol, na região sul de Londrina. Há onze anos, o projeto combina a luta pelo direito à moradia com o combate direto à fome. Sediada na Rua Tomás Fabrício, 108, no Conjunto Saltinho, a organização tornou-se referência para a comunidade local, especialmente após implementar a Cozinha Solidária em novembro de 2023.

Política públicas e ação local

A Cozinha Solidária da Adecol opera com base na Lei nº 14.628/2023, regulamentada pelo Decreto nº 11.937/2024. O programa federal apoia iniciativas da sociedade civil que garantem alimentação gratuita e de qualidade. Atualmente, a proposta em Londrina conta com apoio da Conab e do Sesc Mesa Brasil, com previsão de ser beneficiado em breve pelo Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar.

Imagem ilustrativa da imagem Projeto de Londrina oferece refeições e acolhimento no Conjunto Saltinho

A operação funciona às segundas, quartas e sextas-feiras. O preparo começa às 8h, liderado por três cozinheiras voluntárias, com suporte de uma equipe formada por socióloga, assistente social e nutricionista. As refeições são servidas pontualmente às 11h30.

O cardápio oferece dignidade através de uma dieta balanceada: arroz, feijão, salada, polenta, legumes refogados e, ocasionalmente, pratos como feijoada e mocotó. "O desafio é combater a fome e oferecer alimentação adequada", destaca o lema do projeto.

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"Quem tem fome tem pressa"

Apesar do suporte institucional, a demanda é alta e os recursos são finitos. Maria Inez Gomes, socióloga de 66 anos e uma das coordenadoras da Adecol, relata as dificuldades enfrentadas. Diariamente, são distribuídas 50 marmitas, atendendo famílias inteiras e um público significativo de homens que vivem sozinhos no entorno do Saltinho.

"Nossa maior necessidade atualmente é carne e ovos, pois esses alimentos não recebemos via doações. Precisamos também de mais uma geladeira para preservar os alimentos, um freezer, um fogão maior e outros utensílios domésticos", explica.

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| Foto: Acervo/ projeto Adecol

Para receber o auxílio, os beneficiários assinam uma lista de controle e levam a comida para casa em potes separados, garantindo a alimentação de todos os membros da família.

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| Foto: Acervo/ projeto Adecol

Esperança no futuro

O fim de ano traz uma programação especial. Reforçando que o Natal é momento de solidariedade, a Adecol realiza um almoço especial no dia 24 de dezembro, às 12h. Com música natalina e cardápio festivo, o objetivo é acolher aqueles que, muitas vezes, passariam a data sozinhos ou sem recursos para uma refeição.

Segundo Maria Inez Gomes, a meta para 2026 é fomentar a implantação de mais 10 Cozinhas Solidárias em Londrina, oferecendo assessoria para outros grupos interessados em replicar o modelo de segurança alimentar.

SERVIÇO: Como Ajudar

A Adecol convida a comunidade a conhecer o projeto de perto. "Gostamos que a pessoa venha em um dia de almoço para ver como funciona e quem são as pessoas na linha de frente", ressalta Gomes.

O que doar:

- Prioridade: Carne (bovina/frango) e ovos

- Equipamentos: Geladeira, freezer, fogão industrial e utensílios de cozinha

Contato e logística: Para doações, os interessados podem entrar em contato por telefone. Caso o doador não possa levar os itens, a equipe da Adecol se organiza para buscar as doações.

Endereço: Rua Tomás Fabrício, 108 – Conjunto Habitacional Saltinho, Londrina, telefone (43) 99923-5769

Supervisão: Patrícia Maria Alves (editora)

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