Projeto de lei sugere que boates distribuam camisinhas
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sábado, 13 de janeiro de 2001
Maigue Gueths De Curitiba 
Donos de estabelecimentos noturnos, representantes de grupos homossexuais e autoridades da saúde acreditam que a implantação do projeto de lei que obriga boates e danceterias a distribuir preservativos aos frequentadores, pode contribuir para reduzir o número de pessoas infectadas pelo vírus da Aids. O projeto está em discussão na Câmara Federal é define a obrigatoriedade para casas com capacidade mínima de 500 pessoas. É difícil prever se os donos das casas noturnas concordariam em arcar com essa despesa. Há consenso, no entanto, de que grande parte das pessoas que se conhecem em estabelecimentos noturnos não usam preservativos.
Os jovens sabem que devem usar, mas eu ouço muita gente dizer que na hora não tinha camisinha, e acabou fazendo sexo do mesmo jeito, diz Gustavo Rassi, responsável pelo marketing da Rave Night Club, boate de Curitiba com capacidade para 1,2 mil pessoas. Outro que acredita que a medida não significará grandes gastos para os estabelecimentos é Alexandre Gavinha, consultor de marketing do Callas Dance Hall & Lounge, com capacidade para 1,1 mil pessoas. Os empresários do setor, segundo ele, já estão discutindo medidas nesse sentido, através de uma associação recém-criada.
Mesmo pensamento tem José Renato Guzzoni, integrante do grupo Reviver de Ponta Grossa, Organização Não-Governamental de defesa aos direitos dos homossexuais. Acho que não haverá resistência das casas em distribuir as camisinhas, até porque elas já cobram o suficiente para arcar com este custo.
Desde 1984, foram notificados 8.345 casos de Aids no Paraná. Em 1986, para cada 16 homens existia uma mulher contaminada. Hoje essa proporção está em dois homens para cada mulher.
O projeto de lei de autoria do deputado Enio Bacci (PDT-RS) já foi aprovado em dezembro na Comissão de Seguridade Social e Família, e agora aguarda votação no plenário da Câmara.


