Um projeto em tramitação na Câmara de Vereadores de Campo Mourão quer proibir que empresas usem palavras em língua estrangeira em suas fachadas e em publicidades. A proposta foi apresentada pelo vereador Sidnei Jardim (PPS) e está tramitando pelas comissões da Câmara.
''Nunca vamos conseguir acabar com o estrangeirismo, mas podemos inibir o uso desnecessário de termos em língua estrangeira'', explica Jardim. Segundo ele, o público tem dificuldade de entender frases escritas em outras línguas. No Congresso Nacional, um projeto do deputado Aldo Rebelo (PC do B) também discute o assunto.
Pela proposta em tramitação em Campo Mourão, todo uso de palavra estrangeira, salvo os casos previstos na regulamentação da lei, serão considerados lesivos ao patrimônio cultural brasileiro. O projeto considera ''prática abusiva'' o uso de expressões estrangeiras nos casos em que há o correspondente em língua portuguesa e dá 90 dias para a substituição dessas palavras.
A professora de língua portuguesa da Faculdade Estadual de Campo Mourão (Feciclam) Sinclair Pozza Casemiro diz que a absorção de palavras estrangeiras é comum numa língua, mas admite que há exageros. ''Havendo a expressão na língua portuguesa, isso nem se discute'', frisa. Segundo ela, muitos termos estrangeiros em uso são modismos que passam logo.
''O grande mérito desse projeto é despertar a consciência sobre o uso da linguagem'', afirma Sinclair. ''As pessoas precisam pensar porque estão deixando a sua própria língua de lado em troca de modismos.'' O projeto prevê uma multa de até R$ 240,00 para as empresas que inistirem em manter expressões estrangeiras, dobrando em caso de reincidência.
O ex-presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Campo Mourão, Oscar Gonçalves, não gostou da proposta. ''Isso é bobagem. O mundo está globalizado.''. Gonçalves é dono de uma loja chamada ''West Point Country''. Segundo ele, os vereadores deveriam se preocupar com projetos que melhorassem a qualidade de vida da população.

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