O cerco sobre os fumantes está se fechando na capital parnaense, a exemplo da lei paulista que proibiu o cigarro em todos os ambientes fechados. Tramita na Câmara Municipal de Curitiba um projeto de lei de autoria do vereador Tico Kuzma (PSB) que proíbe o uso de "produtos fumígenos" (cigarros, charutos, cigarrilhas, cachimbos e similares) em locais fechados ou parcialmente fechados.
No entanto, de acordo com o texto da proposição, a lei não se aplicaria a bares, restaurantes e outros estabelecimentos que possuam áreas para fumantes "fisicamente delimitadas e equipadas com soluções técnicas que garantam a exaustão do ar da área de fumantes para o ambiente externo", ou seja, o espaço para fumantes e não-fumantes não será delimitado apenas pela existência de placas indicativas.
Mesmo antes de ir a plenário o projeto já gera preocupações com empresários do setor de bares e restaurantes, onde o cigarro é hábito de boa parte do público consumidor. Segundo Christian Amorim, sócio do Bar Stuart, um dos mais tradicionais de Curitiba, a segregação do público fumante é inviável. "Se proibir, realmente terei que fechar as portas", diz. Segundo ele, 90% da sua freguesia fuma. "Não tem como proibir", avalia. Na opinião dele, assim como a Lei Seca, que proíbe o consumo de álcool por motoristas, as leis que tentarem restringir o cigarro em bares "não vão pegar".
O projeto prevê multa de R$ 500,00 para o fumante e para o dono do estabelecimento que permitir o cigarro em suas dependências sem obedecer às devidas restrições. Para o diretor executivo das seccionais do Rio de Janeiro e Paraná da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Luciano Bartolomeu, a grande maioria dos estabelecimentos não está preparada para se adequar a esta lei. Segundo ele, 97% dos bares e restaurantes do Paraná são formados por micro e pequenos empresários, que não dispõem de capital para promover essas adaptações.
O autor do projeto, Tico Kuzma, afirma que não tem a intenção de elitizar os espaços para fumantes, criando fumódromos apenas em locais com melhores condições econômicas. Ele alega que a preocupação maior é com a saúde dos curitibanos, em especial daqueles que trabalham nesse ramo de atividades, como garçons e músicos. Segundo ele, sua proposição fundamenta-se num preceito da Constituição Federal que reza que todos os brasileiros têm direito à saúde.
Mesmo antes da lei ser discutida na Câmara Municipal, Paulo de Souza, gerente do Lucca Café, da Rua Ébano Pereira, centro de Curitiba, já está se preparando. Ele conta que são comuns atritos entre fumantes e não-fumantes, que convivem lado a lado. Para evitar que a fumaça incomode os fregueses, o cigarro só é permitido próximo à porta do estabelecimento e um sistema de ar condicionado joga a fumaça para longe daqueles que não fumam. Ele acha justo multar os infratores e não teme resistências do público. "Só os mais velhos vão sentir", diz.

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