Projeto de fazenda de caça é suspenso da AL
Maigue Gueths
A votaçao do projeto do deputado Anibal Khury (PFL) que prevê a criação de fazendas de caça ao estilo cace e pague está suspensa por tempo indeterminado na Assembléia Legislativa. Os deputados recuaram, ontem, e após aprovar o projeto em primeira discussão, decidiram retirá-lo da ordem do dia para ampliar o debate sobre o assunto.
Não há previsão de quando a matéria será retomada.
Diante das repercussões da proposta, o presidente da Assembléia decidiu aprofundar um pouco mais o alcance da nova lei e incorporar outros setores. Tem criadores de animais exóticos, por exemplo, que não estão com suas atividades paralisadas por falta de regulamentação, disse Khury que ontem ganhou de presente, de um fazendeiro de Guarapuava, um vidro de conserva de carne de faisão. O deputado almoçou com outros parlamentares para discutir o assunto e, no final, saiu manifestando disposição de não esquecer a proposta: O projeto será mantido. Foi apenas adiado, garantiu.
A idéia de legalizar áreas específicas para a caça não é nova. No Rio Grande do Sul, uma lei autoriza a caça em determinada época do ano de algumas espécies e em quantidade controlada. Segundo o biólogo Álvaro Machado, da Secretaria de Turismo do RS, os caçadores pagam uma taxa de R$ 300,00 para obter autorização de abate nos meses de maio, junho e julho. Alguns dos animais liberados são a perdiz, lebre, tipos de marreca e aves como a cotorrita e pássaro preto. A caça acontece em vários municípios.
O ideal seria se ninguém caçasse. Mas a verdade é que a atividade existe, mesmo sendo proibida, diz, lenbrando que a regulamentação permite maior fiscalização, além de controle das espécies.
A bióloga Keylah Tavares, da Sociedade Brasileira para a Valorização do Meio Ambiente (Biosfera) acha que a discussão sobre o assunto deve envolver, inclusive, a população da região onde o projeto venha a ser implantado. No Quênia, na África, já se faz isto. Elege-se uma área, a pessoa paga ingresso, só pode caçar um animal específico. É proibido abater animais em extinção, reprodutores e animais novos, diz. Para ela, se houver regras de fiscalização, controle da natalidade dos animais e infra-estrutura para atender os caçadores projeto pode ser viável.
O professor do Departamento de Silvicultura e Manejo da Universidade Federal do Paraná, entretanto, acha que o Brasil não está preparado para legalizar a caça. É preciso conhecer o manejo das espécies, o ciclo natural dos animais, de modo a identificar a quantidade de cada espécie e como a caça poderia regular isto.





