Desde o início de setembro é desenvolvido o projeto de contraturno para crianças do P4, que ficaram sem o ensino em tempo integral após uma mudança no regime de horário por parte da secretaria de Educação de Londrina. Na época, a decisão foi tomada para, segundo a pasta, gerar mais vagas para meninos e meninas de zero a três anos. A iniciativa do contraturno foi colocada em prática após um ordem da Justiça, que aceitou ação civil pública ajuizada pelo MP-PR (Ministério Público do Paraná).

Segundo a recicladora Sandra Caetano Ribeiro, a iniciativa beneficia o neto Hairos
Segundo a recicladora Sandra Caetano Ribeiro, a iniciativa beneficia o neto Hairos | Foto: Marcos Zanutto



Em julho, a 10ª Promotoria de Justiça de Londrina entrou com ação cobrando o retorno do ensino em tempo integral para as crianças de quatro anos. Como medida para o corte nas vagas que eram ofertadas, aproximadamente 2.600, o judiciário determinou um plano por parte do município, pelo menos para as crianças consideradas em situação de vulnerabilidade social. Nomeado de "Cuidado e cidadania", o projeto intersetorial tem meta de atender 120 crianças em 2019. Neste segundo semestre de 2018 ele vem funcionando como piloto na zona leste da cidade.

A capela Santa Ana, no jardim Santa Fé, está recebendo 30 alunos de quatro anos de idade da rede municipal no período da tarde, num total de cinco horas de acolhimento. Cerca de cinco servidores, entre Educação e Assistência Social, estão atuando no local. "Nós cuidados dos alunos e a Assistência Social fornece o lanche. Tem recreação, os professores contam histórias. O conteúdo as crianças tem na escola, a tarde é um complemento", explicou Maria Tereza Paschoal de Moraes, secretária municipal de Educação.

As crianças que estão participando deste projeto-piloto foram indicadas pelas instituições de ensino da região. "São meninos e meninas com vulnerabilidade social grande. Foi olhada a situação e feita a indicação. Existem casos de criança que era cuidada pelo irmão mais velho, e que no caso também é uma criança", citou.

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OUTROS BAIRROS
O documento que definiu a atuação do contraturno compreende sete secretarias, entre elas Saúde, Cultura e FEL (Fundação de Esportes de Londrina). Em 2019, todas as regiões deverão contar com o "Cuidado e cidadania". Entre os bairros, além do Santa Fé, estão o jardim União da Vitória (sul); conjunto Luiz de Sá (norte); e jardim Olímpico (oeste), com cada sala recebendo 30 alunos. A proposta é realizar a iniciativa em espaço alternativo adequado.

A operacionalização do projeto está prevista em quatro etapas. A primeira está vinculada à seleção das crianças; a segunda na escolha dos executores, como estagiários de educação física e arte; a terceira na organização dos espaços físicos; e a quarta contempla a execução da proposta em si. Os pais ou responsáveis deverão encaminhar os filhos para o contraturno e posteriormente buscá-los.

De acordo com Moraes, o projeto-piloto na zona leste irá até dezembro, quando será feita uma avaliação para aprimorar o que será desenvolvido em 2019
A proposta é que esta iniciativa seja provisória, porém ainda não tem uma data pré-programada para ser extinta. "O objetivo é atender em tempo integral todas as crianças no CMEI (Centro Municipal de Educação Infantil) ou escola. Conforme isso for acontecendo vamos extinguindo processos como este. O que estamos fazendo é atendendo de alguma forma estas crianças, pois foi o que definiu a liminar da Justiça. O direito à educação está garantido a todas, que tem o mínimo exigido na legislação para ensino parcial, que são quatro horas diárias", defendeu.

Claudinéia Ferreira, atendente: "Foi um desafio nos últimos meses"
Claudinéia Ferreira, atendente: "Foi um desafio nos últimos meses" | Foto: Marcos Zanutto



REPERCUSSÃO
Familiares ouvidos pela reportagem disseram que gostaram do projeto adotado pelo município no Santa Fé, porém consideraram que foi implantado de forma tardia, o que atrapalhou. "Minha filha está desde o começo do ano sem o ensino em tempo integral, já que o projeto chegou só em outubro, ou seja, no final do ano. Como trabalho, tive que deixar minha filha com minha mãe, mas ela é de idade, então tinha dificuldades. Preciso trabalhar, foi um desafio os últimos meses", relatou a atendente Claudinéia Ferreira, mãe de Emanuele, 5.

Para a recicladora Sandra Caetano Ribeiro, a iniciativa está sendo boa para o neto Hairos, 4. "Está sendo ótimo (o projeto). Antes ele só estudava uma parte do dia e a outra ficava em casa, o que era um obstáculo para poder fazer fazer meu serviço. Ele fala que gosta, que dão bastante brincadeiras e atividades." (P.M.)

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