Projeto de Companhia de Terras era plantar algodão e exportar
Projeto de Companhia de Terras
era plantar algodão e exportar
Marcos Zanatta
Marcos Negrini
Valorização do verde é destaque: só nas ruas são 80 mil árvoresA notícia de que a colonizadora inglesa Companhia de Terras Norte do Paraná abria nova fronteira agrícola no Norte do Estado, com infra-estrutura para o transporte em ferrovia, acabou atraindo gente de todo lado. A idéia inicial dos ingleses era abrir a mata e plantar algodão, que já tinha mercado garantido na Europa. Mas as dificuldades - em todos os sentidos - levaram a empresa a colonizar a famosa terra roxa do Norte do Paraná. Os primeiros a se interessarem foram os paulistas.
Junto com os agricultores que ficaram ricos com o café, vieram também os colonos, que graças ao trabalho árduo e o sistema de venda de pequenos lotes adotado pela companhia, puderam se tornar proprietários.
Muitos estrangeiros também procuravam na nova terra uma chance de prosperidade, alguns trabalhando na roça, outros no comércio, mas todos com o mesmo ideal de desbravar a região. A idéia dos engenheiros da Companhia era de formar pequenas propriedades, no máximo com 20 alqueires, cortadas por estradas e servidas com água.
O plano incluía ainda a formação de cidades de porte a cada 100 quilômetros e entre as áreas urbanas pequenos vilarejos, que serviriam de base para os agricultores. Hoje, Londrina e Maringá são consideradas metrópoles e os vilarejos são cidades prósperas como Umuarama, Cianorte, Nova Esperança e Paranavaí. Mas o projeto urbano mais bem definido e melhor sucedido dos engenheiros da companhia é sem dúvida Maringá.
Os primeiros colonizadores do município chegaram por volta de 1939, ocupando a região hoje conhecida como Maringá Velho. No início da década de 40 foram abertas as primeiras lojas comerciais. O primeiro hotel, construído pela empresa colonizadora, que passou a se chamar Companhia Melhoramentos Norte do Paraná, foi inaugurado em 1942. Em 10 de maio de 1947 Maringá é fundada ainda como distrito de Mandaguari. No ano seguinte passou à condição de vila e em novembro de 1951 tornou-se município.
Somente em 1953 Maringá começou a ser urbanizada. Do Maringá Velho, foi aberta a Avenida Brasil, onde existia uma picada. O urbanista Jorge Vieira Macedo, funcionário da companhia, fez o planejamento urbano de Maringá no escritório da empresa, em São Paulo. Ele nunca conheceu Maringá, mas seu trabalho rende elogios até hoje. A idéia era formar uma cidade agradável, para abrigar 50 a 70 mil habitantes. Hoje Maringá tem 270 mil moradores.
O projeto começou a ser desenhado a partir de duas nascentes, dos córregos Moscados e Cleópatra. Uma área de 47,3 hectares de mata nativa em torno do Moscados e outros 59,4 hectares nas margens do Cleópatra, não deveriam ser derrubadas.
As duas matas, o Parque do Ingá e o Bosque 2, foram até hoje os dois pulmões verdes da cidade. Uma outra reserva, de 36,8 hectares em torno da nascente do ribeirão Borba Gato, ficou como área particular da Companhia e serviu de viveiro para a maior parte das árvores plantadas na zona urbana de Maringá.
A idéia de preservar o verde da cidade é mantida através das gerações. São 13 parques florestais, que juntos somam mais de 2 milhões de metros quadrados de matas nativas, e outras 120 praças com muitas árvores. Apenas nas áreas públicas existem mais de 80 mil árvores.
Para cortar uma árvore, ou mesmo podar alguns galhos, é preciso autorização da prefeitura. Se a justificativa não convencer os fiscais, o corte é feito depois de uma indenização, que varia de acordo com a idade, as condições gerais e a localização da árvore. Nos últimos anos, a prefeitura decidiu também que toda área urbana tem que ter calçadas. O proprietários de terreno que não fizer o calçamento e um muro, mesmo que tenha alguns centímetros, leva multa.
Nos loteamentos destinados a famílias de baixa renda, o próprio projeto de pavimentação leva o calçamento. Para baratear os custos da calçada, uma faixa de grama é plantada entre o meio-fio e o início da calçada. A grama além de valorizar ainda mais o verde, permite uma absorção maior de água pelas árvores que estão na calçada.





