Foi iniciado ontem em Cascavel o ano letivo do Programa de Educação de Jovens e Adultos, de alfabetização, até a 4ª série do 1º grau, inclusive com duas turmas de encarcerados do Minipresídio, que terão aulas no próprio local. Entre os cerca de 250 presos, 40 inscreveram-se para a alfabetização e complementação do estudo primário. Outras 40 turmas, com quase dois mil alunos, foram organizadas em igual número de estabelecimentos municipais de ensino.
As aulas no Minipresídio foram iniciadas em solenidade com presença da secretária de Educação, Edi Volpin, o delegado-chefe Osnildo Carneiro, professores e membros da Pastoral Carcerária. Edi observou que a educação ‘‘pode mudar muitas situações’’, e, além da formação da própria pessoa, ‘‘pode fazê-la ver os outros de forma diferente’’. No caso dos encarcerados, pode levar à recuperação ‘‘da auto-estima, facilitando a reintegração social’’.
Uma das turmas de encarcerados é de alfabetização, e outra de 1ª a 4ª série, cada uma com duas horas diárias de aula, e currículo com língua portuguesa, matemática, história, geografia e ciências. A parceria no programa atribui ao Município o fornecimento de material didático, carteiras e outros, e à 15ª Subdivisão Policial a cessão de espaço e liberação dos encarcerados nos horários de aula, enquanto a Pastoral Carcerária os motivará para o aprendizado.
O Programa de Educação de Jovens e Adultos foi iniciado há quatro anos e já alfabetizou cerca de cinco mil pessoas entre carentes e outras que vão para a escola de carro do ano, o que indica que analfabetismo não é ‘‘privilégio’’ de pobres. Uma das alfabetizadas, a viúva Dionísia Freitas, dona de casa, mãe de dez filhos, diz que começou ‘‘uma nova vida’’ ao aprender a ler e escrever, aos 59 anos de idade.
Dionísia tinha dificuldade até para embarcar na lotação certa, porque não sabia identificar as linhas, descritas nos letreiros dos ônibus. A maioria das alfabetizandas é de mulheres, muitas da chamada terceira idade, que nas escolas convivem saudavelmente com os pequenos alunos. A estimativa, este ano, é de que sejam duas mil pessoas. O programa considera alfabetizado quem estudou até a 8ª série, por isso, após a 4ª série, os participantes são encaminhados para o Centro de Ensino Supletivo do Estado.Edson MazzettoA secretária de Educação Edi Volpin dá aula ao preso Cláudio da Silva, 28, acusado de furtoPaulo Pegoraro

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