Dunga é um cachorro da raça daschound, conhecido popularmente como ''basset'', o famoso cãozinho da Cofap. Apático e pesando menos que o normal, o animal está internado desde domingo no Hospital Veterinário (HV) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), apresentando uma anemia muito forte. O boletim médico do cão revela também um estado anoréxico, falta de vontade de comer. Bastante debilitada, a saúde de Dunga deve melhorar depois de receber uma transfusão sanguinea, ainda ontem, de um cão doador. No entanto, se um outro cão aparececer no HV hoje com a mesma doença, ele não terá a mesma sorte que o Dunga, pois o banco de sangue do hospital já não tem mais nenhuma bolsa de sangue armazenada.
É justamente com o objetivo de conseguir reunir o maior número possível de bolsas de sangue, para salvar outros cães, que o Projeto Vida surgiu. Coordenado pela veterinária Patrícia Mendes Pereira, da clínica médica de animais de companhia do HV, o projeto inicia uma campanha para conseguir cães doadores de sangue e tem como meta chegar a conseguir 70 voluntários. ''O banco de sangue existe há sete anos, mas por um tempo ficou parado. Estamos sempre precisando e hoje a transfusão ocorre, principalmente, entre os cães, até mesmo porque a cidade de Londrina apresenta mais cães que gatos'', disse.
Atropelamentos, anemias ou problemas hepáticos são alguns dos casos que exigem a transfusão sanguínea. Não é raro que animais com essas doenças morram no HV por falta de sangue.
Diferente do ser humano, os cães apresentam oito tipos de sangue. A veterinária explicou que, por não ter anticorpos naturais, para a primeira transfusão, o cachorro pode receber qualquer tipo de sangue, porém, a partir da segunda vez, o tipo sanguíneo do doador deve ser igual ao do receptor.
''O sangue coletado pode ficar armazenado entre 28 a 35 dias. É um procedimento rápido, que dura cerca de 15 minutos. Retiramos o sangue pela veia jugular do cão ou, se ele for um cachorro bem forte, pela veia da pata. Após a doação, o cão se sente completamente normal'' disse Patrícia.
Ao todo, cada doador - que deve pesar acima de 28 kg - pode doar até 450 ml de sangue. Essa quantidade pode ser utilizada para até mais de um cão, principalmente quando se trata de receptores de pequeno porte. Patrícia lembrou também que três meses depois o cão pode fazer uma nova doação.
''Muitas clínicas particulares também precisam de sangue. Se conseguirmos uma quantidade boa, poderemos colaborar também com essas clínicas. O cão doador tem toda a consulta gratuita, passa por todos os exames bioquímicos e após quatro doações, ganha também a aplicação de vacinas'', finalizou a veterinária.
Serviço - Interessados em levar seu cão para doar sangue pode entrar em contato com o Hospital Veterinário pelos telefones (43) 3371-4269 ou 3371-4559.

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