A empresa responsável pela elaboração do projeto de reforma das comportas do Lago Igapó 2, na transposição da avenida Higienópolis, na região central de Londrina, pediu prorrogação de prazo para concluir os trabalhos, que agora devem ser finalizados em agosto. O estudo, contratado pelo município por cerca de R$ 26 mil, com ordem de serviço assinada em maio, tinha previsão inicial de entrega em julho. O objetivo é a modernização das estruturas, que apresentaram um vazamento em fevereiro deste ano, e a proposta integra a estratégia para combater os alagamentos recorrentes na rua Joaquim de Matos Barreto.

A FOLHA teve acesso a um documento, datado de 7 de julho, em que a empresa solicita ao município a divisão do contrato em duas etapas: uma para o projeto das novas comportas, que deve ser finalizado primeiro; e outra para a mitigação das inundações no sistema, que deve levar mais tempo.

“Além de tratarem de escopos com abordagens diversas, a etapa mais urgente é a do projeto das novas comportas porque depende, de forma mais significativa, das condições do tempo do que a da mitigação das enchentes”, diz a empresa.

Em nota à reportagem, a Secretaria Municipal de Obras afirmou que, após analisar uma primeira versão do projeto, os técnicos solicitaram a revisão de alguns pontos — principalmente para aumentar a segurança da obra durante sua execução e garantir a integridade de duas grandes tubulações de água e esgoto da Sanepar (Companhia de Saneamento do Paraná), que passam sob a avenida Higienópolis e atendem a Gleba Palhano e outros bairros da região.

“Em função disso, como a conclusão do projeto já estava próxima do fim, a empresa pediu uma ampliação do prazo de entrega, que será prorrogado pela SMOP por, no máximo, 30 dias”, diz a secretaria. Ou seja, os projetos devem ser entregues em agosto. “Vale ressaltar que o projeto está sendo executado pelo engenheiro Carlos Costa Branco, projetista da obra original, já com todos os dados levantados pelo estudo de batimetria.”

HISTÓRICO

O primeiro vazamento no Igapó 2 foi identificado no dia 14 de fevereiro, após a ruptura de uma das comportas. A Prefeitura decretou situação de emergência e adotou uma série de medidas paliativas, como a colocação de sacos de areia com mais de uma tonelada para evitar a redução do nível do lago — mas os problemas se agravaram. No fim de março, foi construída uma ensecadeira, que deverá ser reaproveitada na obra definitiva das comportas.

Apesar de ainda não haver uma estimativa exata do custo da obra, a gestão Tiago Amaral (PSD) reconhece que o valor não será baixo — especialmente em um cenário de contingenciamento das verbas de custeio da Prefeitura de Londrina. A administração afirma que trabalha em “diversas frentes” para viabilizar recursos para essa e outras obras prioritárias.

Além de resolver o problema na barragem, a Prefeitura também deve reconstruir as três passarelas do Igapó 2, ao custo aproximado de R$ 2,4 milhões, segundo a Secretaria Municipal de Obras. O valor inclui as estruturas, fundações e demais serviços.

Mais uma vez, a dificuldade é encontrar fôlego financeiro para tirar a obra do papel em um ano de poucos recursos livres.

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