Projeto da Ayrton Senna deve sofrer mudanças
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sexta-feira, 04 de fevereiro de 2005
Alan Maschio<br> Reportagem Local 
Nove meses depois de ter iniciado a construção da Avenida Ayrton Senna, na Zona Oeste de Londrina, a secretaria municipal de Obras pode se ver obrigada a rever o projeto da via. O motivo é a existência de adutoras de abastecimento de água sob a rotatória do cruzamento com a Avenida Madre Leônia Milito, problema que a direção da Sanepar garante ter informado ao município antes da assinatura da ordem de serviço.
Orçadas em R$ 2,2 milhões e custeadas pelos moradores da região em parceria com a prefeitura, as obras estão paralisadas há dois meses por causa do período de festas de final de ano e das chuvas. A previsão é de que as atividades, que devem ser retomadas depois do carnaval, sejam concluídas até julho deste ano - salvo imprevistos, como novas chuvas.
De acordo com o secretário de Obras, Aloysio de Freitas, a rotatória que deve ligar a nova via à Avenida Madre Leônia Milito foi construída sobre quatro dutos de água da Sanepar, que mantém uma estação de distribuição no local. A pouca profundidade destes dutos impede que máquinas pesadas trabalhem sobre a pista. ''Poderíamos danificar os dutos, o que comprometeria o abastecimento de quase toda a Zona Sul'', explicou.
Ainda segundo o secretário, a descoberta pode forçar mudanças no projeto original da avenida, gerando um novo atraso para conclusão das obras. Ele também afirmou que município teria consultado a Sanepar sobre a profundidade dos dutos antes do início da construção para saber se havia segurança na realização dos trabalhos. ''Fomos informados de que a profundidade era suficiente. Mas fizemos uma nova sondagem recentemente e constatamos que eles estão razos demais'', afirmou.
O gerente metropolitano da Sanepar, Sérgio Bahls, não foi encontrado pela reportagem da Folha para se pronunciar sobre o assunto. A assessoria de imprensa da companhia confirmou os contatos da secretaria, mas disse que, desde o início das obras, as duas partes entraram em consenso sobre a necessidade de alterações no projeto original.
A empresa confirmou a existência de pelo menos uma adutora de água e de anéis de distribuição, que realmente poderiam ser danificados com a presença de máquinas pesadas. O secretário respondeu dizendo que, inicialmente, não havia necessidade de alteração no projeto. ''Como a rotatória seria a última coisa a ser feita, poderíamos deixar estas alterações para quando elas se fizessem necessárias'', explicou.
Para Freitas, as alternativas da secretaria são a compactação de uma camada de terra sobre os dutos, o rebaixamento da tubulação, que deveria ser feito pela Sanepar, ou a ampliação da rotatória, para desviar o trânsito do local. ''Alguns técnicos já estão fazendo a topografia do local para estudar a possibilidade de aplicar terra na região. Já o rebaixamento dos canos seria muito dispendioso e exigiria mais tempo. A possibilidade mais viável é mesmo a ampliação da rotatória, que englobaria a estação da Sanepar'', disse.
Qualquer uma das alternativas, porém, ainda é inviável, devido à instabilidade do tempo. ''Havíamos paralisado as obras para não interromper o tráfego na Madre Leônia durante o período de festas e, depois, durante o vestibular. Depois vieram as chuvas, que nos forçaram a adiar mais uma vez a retomada. As medições de topografia não pararam e acredito que as obras se reiniciem depois do carnaval'', garantiu. A expectativa do secretário é de que a avenida esteja liberada para trânsito entre o lago Igapó 3 e a Madre Leônia até julho.


