A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Arapongas toca um projeto de inclusão de pessoas com deficiência mental no mercado de trabalho há três anos. Conforme a assistente social Patrícia Martins Damasceno, no início, apenas quatro rapazes conseguiram emprego, ''porta de entrada para que outras empresas avaliassem o desempenho deles''.
A maioria dos alunos assistidos pela Apae é jovem com menos de 18 anos e não está preparada para trabalhar. ''Mesmo os mais velhos ainda são mentalmente imaturos'', disse Patrícia, ressaltando que uma frustração no emprego ''pode abalar o psicológico do jovem''.
Por isso, o projeto anda a passos lentos. Dos 220 integrantes da Apae, somente 15, entre alunos e ex-alunos, já trabalham. Segundo Patrícia, a maioria das vagas está nos setores alimentício e moveleiro e a função desempenhada é a de auxiliar geral.
''Alguns montam caixas de alimentos, outros colocam e tiram peças de máquinas, sendo que alguns até já sabem operar as máquinas, outros separam mercadorias e a única menina inserida no programa ajuda na cozinha da Santa Casa'', elencou a assistente social.
Conforme ela, eles até ganham o piso da categoria, mas como não conhecem o valor do dinheiro, precisam ser supervisionados por um responsável. ''Fazemos também um trabalho com a família, pois muitos pais preferem que os filhos fiquem em casa para não correr riscos.''
''Outro problema enfrentado pelos deficientes mentais nas empresas é o preconceito dos colegas, que não admitem ganhar o mesmo salário de uma pessoa portadora de deficiência'', completou Patrícia.
Segundo ela, os alunos da Apae são preparados desde pequenos para a liberdade da vida adulta e o emprego ''é o término de todo um trabalho''. ''Mas alguns realmente não têm potencial e serão nossos a vida toda.'' (M.G.)

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