Duas vezes por semana, a cantina do Centro de Atendimento Integrado à Criança (Caic) do Jardim Santiago (Zona Oeste de Londrina) se transforma em uma pista de dança improvisada. Os alunos arrastam cadeiras, empurram mesas e o cenário está pronto. Basta ligar o aparelho de som, que logo os pares estão formados. Mesmo que a faixa etária fique na média dos 13, 14 anos, a música ouvida está longe das batidas eletrônicas que tanto fazem sucesso nas boates.
O repertório escolhido passa pelo samba, salsa, forró e até mesmo pelo tango. E ninguém reclama, pelo contrário, adora. Uma hora e meia de ''dois passos pra lá, três passos pra cá'', a aula de dança de salão vai se repetir quase do outro lado da cidade, no Projeto de Oficinas Pedagógicas da Prefeitura (POP), na Vila Brasil (Área Central).
De moto, a psicóloga Maria Helena Curotto Martins atravessa Londrina com um único propósito: ensinar dança de salão para crianças e adolescentes da periferia. A rotina vem se repetindo há exatamente um mês, desde que teve início o projeto cultural A Arte de Dançar, do qual Maria Helena é idealizadora e coordenadora.
Além do Caic e do Pop, as aulas também acontecem na Escola Municipal Maria Cândida Peixoto Salles, no Jardim Santa Fé (Zona Leste). No total, são cerca de 70 crianças e adolescentes atendidas pelo projeto entre idades que variam de 8 a 18 anos. ''Queria fazer algo para a comunidade e pensei na dança, já que sou uma apaixonada'', explica a psicóloga.
Com patrocínio do Consórcio União por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, o projeto segue até o final do ano, quando deverão acontecer apresentações de espetáculos abertos ao público.
Lém das aulas de dança de salão ministradas pelo professor Silvio Aparecido da Silva, os dançarinos recebem orientações de saúde e higiene. Ao formar pares com alunos de Odontologia, Enfermagem e Fisioterapia, crianças e adolescentes têm a oportunidade de ter mais informações e de um jeito especial.
Os alunos ainda têm aulas de expressão corporal com a bacharel em artes cênicas Lysiane Cássia Baldo. ''Não que eles vão sair dançarinos daqui, mas como uma boa performance, com segurança neles mesmos e consciência de postura, equilíbrio'', garante a coordenadora do projeto.
As colegas de dança Talita da Silva e Angélica Ferreira de Silva, ambas de 15 anos, enfrentam uma boa distância para frequentar aulas. Uma mora na Vila Marisa, a outra no Jardim Leonor. Se até então Angélica só sabia os passos de hip hop, agora se aventura no samba e no pagode. Como a turma tem menos homens que mulheres, as duas têm que se revezar aprendendo a ser levadas pelo par e também a conduzir.
''Acho que os meninos são mais envergonhados'', explica Abraão Alves Marques, 15 anos. Tímido para falar, a vergonha até some quando a música volta a ser tocada. Com Gisele Oliveira Silva, 14, nos braços, Abraão desliza com desenvoltura pelo salão do Pop. ''Eu já sabia uns passos'', confessa o garoto. O projeto também conta com o apoio do dentista Osvaldo Martins Júnior.

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