Leandro Donatti
A Assembléia Legislativa começa a apreciar hoje um projeto de lei já considerado polêmico que legaliza a criação de fazendas de caça ao estilo ‘‘cace e pague’’. De autoria do presidente da Casa, Aníbal Khury (PFL), o projeto mexe na legislação ambiental, permitindo a caça e a criação de espécies exóticas e silvestres para o abate. As fazendas serão regularizadas pelo Poder Público, de acordo com a proposta aprovada ontem pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
A votação foi apertada, sete votos contra seis. O deputado-pastor Edson Praczyk (PL) fez um voto em separado condenando a liberação. Valdir Pugliesi (PMDB) também fez um discurso enfático contra o projeto de Khury. ‘‘É uma idéia pedagogicamente desastrosa. Vamos criar campos de brutalidade. Que espetáculo é esse? ’’, questionou Pugliesi. Ele e Praczyc prometem buscar apoios e criar uma resistência à matéria, que entra em pauta hoje à tarde.
O deputado Durval Amaral (PFL) disse que a legalização de áreas destinadas à caça incentiva o porte de armas. Moysés Leônidas (PDT) foi a favor da legalidade do projeto mas promete votar contra em plenário.
Autor do projeto que promete movimentar as entidades ambientalistas de todo o Estado, Aníbal Khury disse ontem que Argentina, Paraguai e Uruguai matêm esse tipo de área reservada à caça, ‘‘sem problemas’’. ‘‘Os animais serão criados em cativeiro, especialmente para a caça’’, defendeu o deputado. Khury afirmou ainda que muitos dos animais abatidos são comercializados para consumo, alguns deles em conserva. ‘‘Basta ir ao supermercado para ver’’, observou.
A Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), com sede em Curitiba, criticou e promete analisar detalhadamente o projeto.

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