Arapongas - "No teatro eu me sinto livre, eu me sinto bem", revelou Nicolle Isabele dos Reis, com sorriso no rosto. Há três anos, ela participa do Projeto Crescer, oferecido pela Casa do Bom Menino, em Arapongas (Norte). Crianças e adolescentes com idade entre 10 e 15 anos, com renda familiar inferior a três salários mínimos, participam de oficinas culturais e esportivas, aulas de reforço e de inglês. As atividades são realizadas no contraturno escolar.
Nicolle mora com a mãe, o padrasto e três irmãos. Aos 13 anos, a menina reaprendeu a sonhar. "Eu tento separar as coisas quando eu chego aqui no projeto. Eu penso que vou correr atrás dos meus sonhos e que vou conseguir", explicou. Uma professora da rede estadual de ensino indicou o projeto à adolescente e, desde então, ela se apaixonou pelas oficinas de dança e teatro e já produziu mais de 35 poesias.
A tranquilidade dos professores e o apoio de toda a equipe fizeram com que a menina perdesse a timidez e voltasse a sorrir. "Quando eu estou andando pela rua, eu vejo que muitas pessoas estão tristes e eu vejo que, quando a gente dá um sorriso, elas mudam o rosto. Você pode não conhecer a outra pessoa, mas o sorriso pode mudar a vida dela", ensinou.
Ao todo, 430 crianças e adolescentes são beneficiados pelo Projeto Crescer. A Casa do Bom Menino, construída em 1976, funcionava como abrigo para crianças. A partir de 2005, o local passou a oferecer somente atividades no contraturno escolar para meninos e meninas em situação de vulnerabilidade social. Aulas de português, matemática, educação física, música, dança, flauta, capoeira, informática, cidadania, teatro, inglês e artes foram incluídas no projeto, também realizado em salas de aula do campus da Unopar em Arapongas.
Vitória Tamile Rosário, de 14 anos, participa do projeto desde os 10. "Comecei porque o meu irmão já estava aqui. Fui direto para a aula de canto", contou. O talento da família de músicos foi aprimorado na igreja. Os pais incentivaram a filha a cantar desde os dois anos de idade e hoje a adolescente revela a voz potente e madura nas apresentações. "Quero ser cantora, mas também gosto de gastronomia. Quero fazer faculdade de música", disse, ansiosa.
A proposta é mantida com a ajuda de empresários da região. Por dia, são servidas quatro refeições entre café e lanche da manhã, almoço e lanche da tarde. "Nós muito mais recebemos do que oferecemos. Nós temos que retribuir o que Deus nos deu. Esse projeto é a nossa maior alegria. Essa criançada é fantástica", afirmou, com orgulho, o presidente da entidade, Paulo Pennacchi.
As atividades são oferecidas de forma gratuita. No entanto, é preciso respeitar algumas regras para ter direito à matrícula no contraturno. Além da renda familiar de até três salários mínimos, os estudantes não podem reprovar na escola regular, os pais ou responsáveis precisam frequentar as reuniões periódicas e os alunos podem faltar, no máximo, nove vezes durante o ano. A frequência de segunda à sexta-feira é obrigatória.

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