Projeto continua, com alterações
PUBLICAÇÃO
sábado, 24 de maio de 1997
Da Redação 
O projeto População de Rua mudou. Não tem mais uma coordenação própria, mas continua existindo e funcionando. Ele passou a integrar os projetos coordenados pelo Centro de Atendimento à População (CAP). Dos quatro profissionais que atuavam no projeto até o ano passado, três permanecem: uma assistente social, um educador social e um estagiário do curso de Serviço Social da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
O projeto foi criado em junho de 1994, para prestar atendimento integral a pessoas que ficam nas ruas da Cidade temporária ou permanentemente. As mudanças são resultado de um relatório e pesquisa realizados pela equipe do projeto, em junho do ano passado. No relatório, ele ressaltavam as dificuldades de encaminhamento - falta de vagas nas instituições, necessidade de um local apropriado para receber a população de rua propriamente dita (mendigos e andarilhos). O relatório acentua ainda que 50% dos atendimentos da equipe eram de emergência médica. Segundo o documento, o projeto não atingia sua finalidade e deveria ser suspenso para reestudo.
A secretária municipal de Ação Social, Marisa Goettel de Nascimento, ressalta que o projeto é importante mas precisa ser adequado à real necessidade e que é preciso dividir responsabilidades com outros setores da Prefeitura, iniciativa privada e população. A única mudança substancial do projeto, acrescenta, é que a equipe da Ação Social não transporta mais a população de rua até o atendimento médico. Quando o caso é de doença, a Secretaria de Saúde é acionada e assume o transporte e encaminhamento ao serviço adequado.
Para Marisa, a falta de informação é uma das principais responsáveis pelos desencontros e desentendimentos com a população. Ela diz que a maioria das pessoas não sabe a quem recorrer para solicitar ajuda a uma criança, família ou mendigos na rua.
Cita como exemplo o caso do mendigo José Sazrassoff, que morreu em frente ao HU, no último dia 17. As pessoas que o socorreram disseram ter procurado vários setores e entidades, sem conseguir atendimento. Nós não fomos chamados, diz Marisa. Ela explica que o mendigo vinha sendo acompanhado pela equipe há vários anos. Poucos dias antes tinha sido internado para tratamento, mas fugiu do hospital. Ele resistia a qualquer tipo de atendimento. Estava entre os nossos casos mais resistentes. Gente que se nega a mudar de vida. (Leia mais sobre abordagem de população de rua na página 6)
(Célia Baroni)


