Projeto conscientiza estudantes para evitar avanço do tabagismo
Projeto conscientiza estudantes
para evitar avanço do tabagismo
Professores de primeiro grau da rede pública ensinam em sala de aula por que o cigarro faz tanto mal
Lucilia Okamura
Preocupados com a constatação de que as crianças começam a fumar cada vez mais cedo, professores de enfermagem e educação física da Universidade Estadual de Londrina (UEL) criaram um projeto voltado à conscientização em escolas de 1º grau. O projeto de extensão Ações Educativas na Prevenção do Tabagismo é desenvolvido em várias escolas da zona sul.
Antigamente, o fumo começava na adolescência. Hoje, o hábito começa na infância, observa a professora de enfermagem Sonia Hirazawa. Segundo dados do Ministério da Saúde, 32 mil crianças menores de 10 anos fumam no País e 2,7 milhões de jovens entre 10 e 19 anos são viciados em fumo. A professora informa que não existem estudos sobre a situação de Londrina.
O projeto da UEL começou em junho de 1997 e envolve, além de professores, estagiários dos dois cursos. Inês Gimenez Rodrigues, também professora de enfermagem, explica a importância de trabalhar com crianças de 7 a 12 anos: Nesta faixa etária, ocorre a formação de valores.
A primeira etapa do projeto consiste em treinar professores, transmitindo informações sobre o tabagismo, como os efeitos do cigarro. Paralelamente, trabalhamos com os professores, ajudando-os a ver a forma mais adequada de ensinar os alunos, explica Sonia Hirazawa. O treinamento dos professores dura oito horas.
Uma das orientações dada aos professores é de que eles podem utilizar o conteúdo das disciplinas para informar as crianças sobre o tabagismo. Por exemplo, drante o estudo do aparelho respiratório, pode-se citar a repercussão do cigarro, observa Sonia Hirazawa.
Dentro do projeto também são desenvolvidas atividades com os alunos, como jogos, gincanas e dramatização, sempre com o tema do tabagismo. Mesmo após o fim do treinamento e das atividades, professores universitários envolvidos no projeto vão continuar prestando assessoria às escolas.
Durante a aplicação do projeto, as docentes puderam constatar que alunos de algumas escolas, mesmo pequenos, já fumam. Quanto mais pobre e violento o local onde a escola fica, maior o contato das crianças com o cigarro e até mesmo a associação com drogas mais pesadas, revela Inês Rodrigues.
Ela diz que o resultado do projeto não surge a curto prazo. Não dá para dizer que as crianças não vão fumar, mas, pelo menos, elas vão estar informadas, conscientes sobre o assunto, afirma.
No ano passado, o projeto foi desenvolvido em três escolas da zona sul, envolvendo 100 professores e 1,5 mil alunos. Neste ano, haverá mais oito escolas. Uma delas é a Escola Municipal Dalva Fahl Boaventura, no Conjunto das Flores (zona sul). Ontem de manhã, as professoras tiveram mais uma aula sobre tabagismo.
A professora da 4ª série, Adriane Loureiro de Lima, diz achar o projeto bastante interessante. Ela observa que, como já trabalhou o tema com os alunos, praticamente não surgiram dúvidas durante o treinamento. Mas um curso sempre vem enriquecer cada vez mais. Podemos aprender, por exemplo, uma maneira diferente de trabalhar.
A professora da 3ª série, Maria Salette Barão Oliveira, garante que nenhum dos seus alunos fuma. Mas a grande maioria deles tem pais que fumam, completa. Ela acredita que o projeto é válido porque, falando às crianças sobre os efeitos do cigarro, pode-se atingir os pais. A criança tem uma influência grande sobre os pais e pode mudar a situação dentro de casa.





