Projeto complementa repovoamento de rios
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quinta-feira, 05 de maio de 2005
Camilla Rigi<br>Reportagem Local 
O Governador Roberto Requião (PMDB) lançou ontem, em Bandeirantes (34 km a leste de Cornélio Procópio), mais um projeto para complementar o programa de repovomento dos rios do Paraná. Com o nome de Tanque Rede, o projeto que deve ser implantado a partir de hoje pretende incentivar os piscicultores e agricultores a criarem alevinos até a fase juvenil quando atingem cerca de 13 centímetros e venderem para o governo.
O projeto do Tanque Rede é mais uma maneira para evitar a pesca predatória, uma vez que os piscicultores teriam retorno garantido - além de incentivar o turismo baseado na pesca esportiva. Esse trabalho, assim como o da mata ciliar, é importante para que nossos filhos e netos conheçam a natureza como nós conhecemos. E não conheçam um deserto apenas com plantações de soja e milho, sem biodiversidade, afirmou Requião.
O governador também declarou que o incentivo a pesca esportiva será mais lucrativo para os pescadores que a comercialização dos peixes. Segundo o presidente do Instituto Ambiental do Paraná, Lindisley Rasca Rodrigues, um projeto parecido já foi implantado em Goioerê (78 km a oeste de Campo Mourão). É uma atividade perene para o pescador, que terá rendimento o ano todo e não somente nos períodos que não prejudicam a piracema (época de desova dos peixes), relatou Rasca.
Durante todo o dia de ontem, o vice-governador e secretário de Agricultura e Abastecimento, Orlando Pessuti, percorreu algumas cidades do norte do Paraná para soltar cerca de um milhão de juvenis, nos rios Congonhas, Cinzas e Laranjinhas. Estamos soltando espécies quase em extinção como pacu, piapara e curimbatá, que eram nativas desta região, explicou o enegenheiro de pesca da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Luiz de Souza Viana.
O programa de repovoamento existe desde 2004, mas este é o primeiro passo para retirar o projeto dos laboratórios. Os peixes têm uma caracterização molecular diferente que permite acompanhar o desenvolvimento das espécies matrizes nos rios, contou Viana. O engenheiro garantiu que todos os rios que receberam os peixes foram monitorados por pesquisadores da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que constataram condições ideais para a procriação das espécies.
Idealizado nos gabinetes, o programa teve sucesso graças a união das Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab), Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), Emater e das Universidades Estaduais de Londrina e Maringá. Alunos e pesquisadores da Fundação Faculdades Luiz Meneghel de Bandeirantes também colaboraram no processo.
Só neste lote de um milhão de juvenis investimos R$ 4,2 milhões. Até o final do ano de 2006 a previsão de investimento no programa é de R$ 18 milhões, afirmou o secretário da Seti, Aldair Rizzi. Com a implantação do projeto Tanque Rede, o governador garantiu que não faltará dinheiro, podendo chegar a quantia de R$ 50 milhões se houver interesse da sociedade. A intenção é termos quatro peixes para cada habitante do Paraná, disse Requião, quando ajudava a soltar os juvenis no rio Laranjinhas.


