Projeto busca voluntários para ensinar música
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 04 de agosto de 2004
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
No bairro que já foi considerado um dos mais violentos de Londrina, o Jardim Nossa da Paz (Zona Oeste), o estampido dos tiros está sendo neutralizado pelo som que sai dos violinos manuseados por um grupo de 13 adolescentes. Na pequena sala onde são ensinados os segredos do instrumento, na Paróquia Nossa Senhora da Luz, no Jardim do Sol, meninos e meninas estão percebendo através da música que a amizade é bem mais valioso que qualquer outro. Mas para atender mais gente os idealizadores do Projeto Sinfonia Universal estão precisando de voluntários.
A falta de formação acadêmica de violino não foi barreira para o ''professor'' Rafael Taniguchi, 22 anos, dar início às aulas. Ele conta que tudo começou ''informalmente'' em 2001, quando passou a ministrar as primeiras lições de violão para apenas dois alunos. As aulas de violino começaram em 2002, quando a mãe conseguiu recursos do município para adquirir 10 violinos.
Para manter o interesse dos pupilos, o professor usa um método que privilegia a diversão de quem aprende. Os alunos também recebem noções sobre história da música clássica e sobre os compositores clássicos. Taniguchi diz que a disciplina exigida para se estudar violino foi essencial para despertar nos alunos o interesse de aprender.
''A música foi um pretexto para atrair esses jovens, que hoje formam um grupo muito mais forte socialmente'', elogia Taniguchi, que não esconde que exige o máximo de dedicação dos seus pupilos.
Os violinistas do Nossa Senhora da Paz rejeitam o rótulo de ''coitadinhos'' e perceberam que música é motivo de alegria. Antes de começar o estudo do violino, um dos integrantes com mais tempo de projeto, Elias Bruno Colly da Silva, 15 anos, sonhava em ser jogador de futebol mas agora tem outros planos.''Queria ser jogador mas o que está me dando mais oportunidades é a música. Então vou investir na música'', diz ele, que usa o instrumento como calmante.
O amigo Welington dos Santos Cremones, 14 anos, observa que o violino o fez perceber que também na vida é preciso dedicação. Ele que não imaginava tirar sons harmônicos do instrumento hoje já consegue perceber as diferenças entre os estilos. ''Com o violino, aprendi a estudar'', aponta.
Silmara da Silva Santos, também tem 14 anos e desde pequena sonhava em aprender violino: ''Pensava que não ia conseguir porque não tinha oportunidade. Agora, parece que quando toco vou para outro lugar.''
E se a música mudou a vida dos praticantes também serve para derrubar o preconceito ainda bastante presente contra quem é da comunidade. O professor aponta que nos festivais, o grupo é elogiado e procurado por outros alunos.
''A maioria aqui já presenciou pelo menos dois assassinatos e tinha muita carência humana. Agora, eles têm percepção social bem mais ampla. Mas o mais importante foi o amor e a amizade que existe entre eles'', ressalta Taniguchi.
Quem quiser trabalhar como voluntário ensinando violino, flauta, coral e teclado, pode entrar em contato com Miracir ou Regina, na Creche Irmãs de Betânia, pelo telefone 3338-5686. Os alunos do projeto também estão carentes de mais instrumentos.


