A busca de alternativas para solucionar o problema de moradia nas favelas em Londrina deve envolver a comunidade, na opinião do engenheiro Maurício Alves Costa. ‘‘Se todo mundo ajudar, em breve não haverá mais barracos na Cidade. Não custa muito para quem tem mais ajudar os que não têm nada’’, diz. No Projeto Onde Moras, o tempo de construção de uma casa é de dez dias. ‘‘Nesse ritmo, sete meses são suficientes para dar casa para 20 famílias’’, calcula. Além do jardim Marabá (zona leste), o Projeto Onde Moras vai atuar no jardim União da Vitória (zona sul).
O grupo já está em contato com a paróquia do União da Vitória, que tem o levantamento das famílias mais carentes. A intenção, segundo o engenheiro, é começar o trabalho em fevereiro. ‘‘Queremos atingir a Cidade inteira’’, fala Costa. No União da Vitória também será formada uma equipe técnica - como no Marabá -, para fazer o trabalho de demolir e construir casas.
Na semana que vem, Costa tem uma audiência com o reitor da Universidade Estadual de Londrina, Jackson Proença Testa, para discutir a possibilidade de estudantes do curso de Engenharia atuarem como estagiários no Projeto. ‘‘Se em cada obra houver um estagiário, fica muito mais fácil trabalhar. Os estudantes têm condições de acompanhar a mistura de materiais e a obra.’’
Além das demolições, o grupo tem buscado outras formas de receber matéria-prima, segundo o engenheiro. Ele conta que em Jataizinho, com a ajuda de um padre, as olarias da cidade estão cedendo tijolos quebrados para o Projeto Onde Moras. São recolhidas todas as semanas 7 mil unidades.
Com o material de construção obtido nas demolições e doações, o custo de cada casa tem saído em torno de R$ 500,00, para a compra de cimento, ferro e areia, segundo o engenheiro Costa. A instituição Caritas, da Igreja Católica, que é a coordenadora do Projeto Onde Moras, doou R$ 9 mil, suficientes para quase 20 casas. ‘‘O mais caro é o cimento. Queremos contar com ajuda da iniciativa privada e vamos promover campanhas para que a comunidade doe material.’’


Alunos da UEL
poderão ajudar
a construir
novas moradias

A Paróquia Nossa Senhora de Lourdes, na avenida São João, também se comprometeu a doar R$ 500,00 por mês ao Projeto Onde Moras. O padre Paulo Brincat, da Paróquia, instalou um posto de coleta de materiais na igreja. ‘‘A idéia é montar pontos de coleta em toda a Cidade. Pensamos também em fazer campanha por bairro e recolher nas casas o material de construção que pode ser doado. Sempre alguém tem no quintal uma porta, madeira, que não tem serventia, mas também não pode ser jogado fora.’’ O arcebispo de Londrina Dom Albano Cavallin enviou correspondência em novembro para vários setores da sociedade, divulgando o Projeto e pedindo contribuição como doação de materiais.
A irmã Tânia Regina Micheletti, da Congregação de Santana, que faz um trabalho de evangelização no jardim Marabá, afirma que uma das conquistas necessárias para o resgate da cidadania passa por uma moradia digna. ‘‘Mudar a moradia dessas pessoas não é o único objetivo do nosso trabalho. Mas ter uma casa com uma divisão adequada de cômodos é o primeiro passo para a dignidade humana.’’
O engenheiro ressalta também a importância da união entre os moradores, que surge naturalmente com esse trabalho. ‘‘Existe um respeito mútuo e um se importa em ajudar o outro. É só dar condições que eles trabalham e se ajudam’’. Segundo o engenheiro, a partir da construção da 10ª casa no bairro, o Projeto Onde Moras amplia sua atuação, com a criação de uma frente de trabalho com a participação dos moradores, para superarem o desemprego comum a muitos deles. ‘‘No Marabá, a proposta é criar uma horta comunitária para que as famílias tirem seu sustento dali e vendam a produção’’, diz Costa.
‘‘É um trabalho lento que exige a participação dos mais ricos, para que olhem a realidade social e dêem sua contribuição, e também a dos mais pobres, para que com a mudança concreta de alguns aspectos de suas vidas ajam em comunidade e busquem a melhoria de sua condição de vida’’, explica irmã Tânia. O telefone da Caritas é (043) 325 4434.
(Carina Paccola)

mockup