Projeto Bate Palma tenta ajudar famílias carentes
PUBLICAÇÃO
sábado, 19 de maio de 2001
Betânia Rodrigues De Londrina 
Sustentar a família com a venda de produtos agrícolas, de casa em casa, é a esperança dos integrantes do projeto Bate Palma. Implantado há cinco semanas em Londrina pelas secretarias da Ação Social, Agricultura e Provopar, o programa tem o objetivo de oferecer uma alternativa de renda para famílias carentes e resgatar a auto-estima do cidadão. Ainda em fase de teste, o Bate Palma atende quatro mulheres, por enquanto, mas a intenção é aumentar o número de beneficiados. Esperamos que em seis meses os participantes já estejam prontos para trabalhar sozinhos, diz a assistente social do Provopar, Sâmia Mustafá.
Com uniforme e crachá, as vendedoras saem às ruas oferecendo mercadorias compradas de agricultores do município. Elas trabalham de segunda à sexta-feira, das 8 horas às 17 horas, com direito a almoço e acompanhadas por uma Kombi equipada com aparelho de som. Tudo é financiado pela administração municipal, que paga os produtores rurais com 70% da renda obtida com a comercialização. Os 30% restantes são divididos semanalmente entre os vendedores.
De acordo com Sâmia Mustafá, a comodidade da compra em casa, a qualidade e o preço são os principais atrativos das mercadorias. Custam até 50% menos que nos supermercados, acrescenta. Mesmo assim, as vendedoras encontram resistência dos consumidores, principalmente na área central da cidade. O acesso fácil às grandes ofertas dos supermercados e a valorização das marcas são os motivos alegados pelos poucos consumidores que atendem as integrantes do Bate Palma nessa região. Nos bairros de classe média a abordagem é mais eficaz por causa do número menor de edifícios e porque essas pessoas estão acostumadas ao comércio de porta em porta, explica a assistente social.
Cada dia, as vendedoras percorrem um bairro inteiro. Por enquanto, elas oferecem pão caseiro, mandioca, milho, poncã, mel, vassoura, batata-doce, biscoito e temperos (salsa, cebolinha, manjericão etc). Mas de acordo com o interesse da população, esses produtos podem ser substituídos e outros acrescidos à lista.
A ex-doméstica Sandra Cristina Dias Rosa, 26 anos, diz que a idéia surgiu em boa hora porque seu marido está desempregado. Ana Lúcia Barbosa Moreira da Silva, 43 anos, também sustenta sozinha a casa. Ela tem cinco filhos e o marido não trabalha porque é doente. Maria Aparecida Lopes da Silva, 34 anos, era catadora de papel e conta com a ajuda da filha de 16 anos para cuidar dos cinco filhos mais novos, enquanto trabalha. Por semana, cada uma recebe de R$ 20,00 a R$ 30,00 que, segundo elas, ajudam bastante nas despesas de casa.
Para Sâmia Mustafá, o lucro poderia ser maior se a população tivesse mais dinheiro. Mesmo assim, ela acredita que aos poucos a comunidade vai se acostumar com o Bate Palma e ajudá-lo a crescer. Se tudo der certo, vamos abrir mais vagas no mês que vem, planeja. Quem quiser adquirir os produtos e não encontrar as vendedoras pode comprá-los diretamente na sede do Provopar, Avenida Juscelino Kubitscheck, 2.882.


