Os medicamentos antirretrovirais usados no tratamento de pacientes HIV positivos melhoram a qualidade e a expectativa de vida de quem tem o vírus da aids, uma vez que fortalecem o sistema imunológico, mas também causam alguns prejuízos à saúde. O aumento dos níveis de colesterol e triglicérides, a resistência à insulina e a perda de força muscular estão entre os efeitos colaterais causados pelo coquetel antiaids.
A perda de força muscular por quem faz uso do tratamento antirretroviral tornou-se objeto de estudo do aluno Vitor Hugo Fernando de Oliveira, que faz doutorado em Educação Física na Universidade Estadual de Londrina (UEL). "Até a década de 1980, 1990, a expectativa de vida do paciente HIV positivo era muito baixa. A partir de 1996, com a disponibilidade do medicamento na rede pública, houve aumento da expectativa de vida, mas surgiram outros prejuízos, como a perda de força muscular", explicou.
"A perda de força é importante porque a força e a habilidade estão associadas à qualidade de vida, às atividades diárias. O que acontece em idosos, acontece mais precocemente em pessoas com HIV. Esse foi um dos principais resultados que o Vitor encontrou no mestrado", acrescentou o professor do Departamento de Educação Física da UEL Rafael Deminice, que orienta Vitor Hugo em sua tese de doutorado.
O estudo com pacientes HIV positivos na UEL começou em 2013. Em primeiro lugar, era preciso investigar por que o uso do coquetel antiaids levava à perda de força sem que houvesse a perda de massa muscular. A hipótese investigada por Vitor Hugo é de que o fato estaria relacionado à toxicidade do medicamento, que acomete o sistema nervoso central. Em seguida, o estudante propôs um programa de exercício físico específico para esses indivíduos.
Para chegar até o objeto de estudo - os pacientes HIV positivos em tratamento -, o caminho foi o Ambulatório de Moléstias Infecciosas do Hospital de Clínicas da UEL e o Centro Integrado de Doenças Infecciosas (Cidi). "Passamos um tempo conversando com a equipe e recrutando voluntários", contou o doutorando. Dos cerca de 220 HIV positivos em tratamento entrevistados, 50 foram selecionados para participar do programa de exercícios físicos elaborado por Vitor Hugo.
O programa de 16 semanas mesclava atividades aeróbicas e musculação, três vezes por semana, sob orientação de um profissional de educação física. Além de dez alunos de graduação, mestrado e doutorado na área de educação física, o projeto também envolveu alunos de Psicologia e Nutrição e teve a colaboração de uma professora do curso de Medicina da UEL.
"Percebemos um ganho de força e de capacidade respiratória, mas na parte psicológica também obtivemos bons resultados. Houve uma melhora no índice de depressão, de ansiedade e na qualidade de vida", destacou Vitor Hugo. "Quando fala no físico, o que se pensa é no corpo, mas o grupo teve um ganho psicológico e social muito grande. Grande parte deles não tinha nenhum convívio social. Exames bioquímicos detectaram melhora na saúde geral do paciente", salientou Rafael Deminice. (Leia mais na pág.2)

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