Curitiba - Em Goiânia (GO), um projeto realizado pela Universidade Católica de Goiás realiza atendimento aos autores de violência sexual que estão presos. Isso foi elaborado para criar uma metodologia para os atendimentos. Como apenas a prisão não resolve a questão e o poder público não realiza ações para tratar dos presidiários, psicólogos convidaram internos para as reuniões. Dos 10 que receberam o convite, apenas um recusou.
O atendimento psicoterapêutico ao autor da violência na universidade em Goiânia tem mostrado resultados. Alguns pedófilos já assumem a responsabilidade, consideram que o ato foi ruim e chegam a sofrer com isso. Mesmo assim um dos crimes de maior reincidência é a violência sexual.
Um caso já resolvido em Goiânia foi de um advogado que pagava para adolescentes se divertirem em máquinas de jogos disponíveis em shopping centers. Em seguida os levava para o banheiro e obtinha relações sexuais. Em casos como esse a vítima acaba achando que foi ela própria que resultou a ação, já que aceitou ser persuadida por utilizar o dinheiro do autor. Assim fica com vergonha ou medo de contar para alguém sobre o que aconteceu.
Dos casos que a psicóloga Mônica Barcellos Café, coordenadora do projeto, atende atualmente, metade dos acusados são da família da vítima. A dificuldade é responsabilizar os autores do crime já que é difícil identificar alguns casos devido à falta de provas. "O sexo oral não guarda pistas. Depois de um mês somem as provas do sexo anal. Levar a criança ou adolescente para ver um filme pornô sem testemunhas é quase impossível provar perante a Justiça’’, explica a psicóloga.
No projeto realizado com os presos o grupo de psicólogos detectou que os autores dos crimes de violência sexual, na maioria das vezes, foram vítimas de submissão, passaram fome, realizaram trabalho escravo, moraram na rua e não tiveram acesso aos direitos básicos da infância e adolescência. Entre o grupo de pedófilos estudados, 40% também foram violentados sexualmente.
Perante a lei, é considerado estupro apenas a violência sexual entre homem e mulher. Entre dois homens ou duas mulheres, sexo anal e oral é identificado como atentado violento ao pudor. Isso beneficiava os agressores na redução da pena. Atualmente os crimes continuam com nomes diferentes, mas a pena é semelhante, dependendo do caso.
"O trabalho de quem foi abusado deveria ser mais divulgado. Todas vítimas deveriam passar por tratamento. Crimes de pedofilia acontecem muito mais do que se imagina’’, diz Mônica. Em três anos de funcionamento do projeto, 30 presos pedófilos foram atendidos. (D.C.)

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