Projeto atende internos do Meprovi
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quarta-feira, 16 de abril de 2008
Marta Ortega<br>Reportagem Local 
Interno do Meprovi, instituição filantrópica que propicia acompanhamento social e espiritual a dependentes químicos, Rogério (nome fictíicio), 29 anos, conseguiu se livrar da acusação de tentativa de furto, através do serviço prestado pelo Escritório de Aplicação e Assuntos Jurídicos (EAAJ) da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Ele foi acusado em 2004 e, graças ao trabalho dos estagiários do escritório, o problema foi resolvido. ''Ficou provado que não fui o responsável. Saio daqui sem dever nada à Justiça.''
Aos 25 anos, Gilson (nome fictício), também espera resolver em pouco tempo a pendência com a Justiça. Preso duas vezes, acusado de contrabando de cigarros, ele conseguiu unir os dois processos em apenas um julgamento. A pena, 365 horas de serviço comunitário, teve parte quitada. Outras 123 horas deverão ser pagas dentro do próprio Meprovi, onde o interno se recupera do vício das drogas. ''Espero que daqui a três meses, quando sair, possa encontrar um emprego e retomar minha vida. Estou pagando pelo que fiz, de maneira justa''.
Os dois internos, a exemplo de outros 30 companheiros, participam do projeto desenvolvido por alunos do 4º ano de Direito da UEL, que prestam assistência jurídica no Meprovi, gratuitamente.
A coordenação do projeto é da professora e advogada Maria Antônia Gonçalves, que comanda um grupo de quatro estagiários e quatro docentes. O trabalho é realizado há dez anos. ''Na maioria das vezes a dependência química faz com que os internos se envolvam em atos ilícitos na área civil, penal, administrativo, trabalhista. O projeto atua na prestação do amparo jurídicos dos casos e previne que outros problemas aconteçam.''
O atendimento acontece uma vez por mês, quando o grupo visita a instituição e repassa todas as orientações necessárias aos internos, além de realizar palestras e prestar atendimento psicológico com a colaboração de ex-alunos do projeto. Todo o material utilizado no atendimento dos internos é fornecido pela UEL.
O trabalho, segundo a coordenadora, complementa a carga horária dos alunos que conseguem aplicar na prática tudo o que estão aprendendo nos bancos da Universidade. O estudante Lucas Gustavo Mariani, está no projeto desde o começo do ano e encaminha dois processos de inventário para os internos que perderam pessoas da família. Para ele, ''o mais gratificante é ajudar quem necessita''.
De acordo com o pastor Urias França Júnior, o trabalho é de extrema importância para os internos. ''A maioria chega aqui com muitos problemas jurídicos e tem todo o apoio para resolver ou pelo menos amenizar essas questões. Se eles devem à Justiça, têm que pagar e o atendimento dá mais tranquilidade e proporciona isso''.
Outros projetos semelhantes também estão sendo implantandos no Meprovi. Alunos e professores do curso Nutrição da Unifil iniciaram um trabalho de avaliação física nos internos, para elaborar tabelas nutricionais durante as refeições. O acompanhamento será mensal e visa recuperar mais rapidamente o organismo dos internos. Também estão sendo programados atendimentos no setor de educação, principalmente na área de alfabetização e de educação física. ''A intenção é fazer um trabalho completo com os internos, atendendo todas as áreas e dando condição para que eles se recuperem rapidamente e voltem ao convívio de outras pessoas.''


