Projeto aproxima Justiça dos estudantes
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terça-feira, 29 de setembro de 2015
Rafael Souza<br>Reportagem Local
Escolas municipais de Londrina começaram a receber ontem as visitas do projeto "Justiça se aprende na Escola", do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR). A ideia é levar às crianças noções do trabalho do Judiciário, através de conversas informais conduzidas por juízes, promotores e advogados. "Queremos aproximar o Poder Judiciário, o Ministério Público e os advogados das crianças, desmistificar a figura do juiz, que é visto por muitas delas como uma pessoa inacessível. O projeto quer trazer o Judiciário para dentro da escola, através de conversas informais ensinando a eles o que faz um juiz, um advogado e por que existe Justiça", explicou a juíza de Direito das Varas da Infância e Juventude de Londrina, Isabele Ferreira Noronha.
A primeira escola visitada foi a municipal Irene Aparecida da Silva, localizada no Conjunto Habitacional Jamile Dequech (zona sul). Cerca de 50 alunos do 5º ano do ensino fundamental participaram da palestra no período da tarde e puderam, entre outras coisas, conhecer leis e saber como denunciar casos de violência ou abuso sexual, por exemplo.
O estudante João Luiz Ferreira Neto, de 11 anos, garantiu que não vai esquecer tão cedo o que aprendeu ontem. "A gente aprendeu o que pode e o que não pode fazer e que tudo o que a gente faz de errado volta pra gente mesmo", contou o garoto. "Foi muito legal para incentivar muitas crianças a ser pessoas de bem e seguir carreira como advogado, promotor ou juiz", valorizou Samuel Fernandes Silva, de 11 anos, que sonha um dia estar do outro lado. "Quero ser advogado ou engenheiro civil e para mim também foi um incentivo", citou o estudante.
Ainda durante o papo com o grupo, alguns já se manifestaram. Depois, uma fila se formou para conversar com a juíza e a promotora de Justiça da Vara da Infância Josilaine de Andrade. "Foram relatadas situações de violência doméstica, alcoolismo, uso de drogas e abusos sexuais. É um trabalho feito de forma sigilosa para que eles se sintam à vontade para expor os problemas. Geralmente o que chega para a gente já é a ponta do iceberg, e quando a gente vem fazer um trabalho como esse a gente se surpreende, porque vemos que muita coisa não chega ao nosso conhecimento. Temos que fazer o nosso trabalho de forma mais efetiva", observou a juíza.
As visitas são a primeira etapa do projeto. Após as palestras, os alunos receberão apostilas e terão cerca de 30 dias para estudar o papel do Judiciário, antes da visita ao Fórum de Londrina. A terceira etapa consiste na elaboração de uma redação sobre o tema e as melhores serão premiadas, de forma simbólica.
Segundo a magistrada, 15 escolas em situação de maior vulnerabilidade social receberão as visitas. Uma equipe de 45 pessoas, entre juízes, promotores e advogados, será a responsável por guiar o projeto. Segundo Isabele, também serão distribuídas 1,5 mil apostilas. O projeto prevê 15 encontros até o final de outubro. A premiação das redações será feita no final de dezembro. "É um trabalho também preventivo, um trabalho de formiguinha para tentar mudar uma realidade social. Talvez, lá no passado, se essas crianças que têm problemas com a Justiça hoje tivessem tido esse acesso, as coisas poderiam ser diferentes", reforçou a magistrada.
Para a supervisora da escola, Joselen Amarins, o projeto servirá para ensinar aos alunos o que fazer em situações de risco. "Pode acontecer deles saberem o problema, mas não terem coragem para denunciar. É um alerta para eles saberem que estão amparados", ressaltou. Ainda segundo ela, a filosofia do projeto será desenvolvida dentro da escola com trabalhos sobre o tema Justiça.