Projeto aprovado no Promic impacta moradores do Nossa Senhora da Paz


Vitor Struck - Grupo Folha
Vitor Struck - Grupo Folha

Depois de trazer cores e expressões em desenhos realistas e abstratos em centenas de muros e paredes de Londrina, a inspiração do grafiteiro Hugo Rocha, 39, para o seu mais recente trabalho, em um imóvel do bairro Nossa Senhora da Paz, veio de um dos mais genuínos e belos sentimentos: o amor de uma mãe por um filho. Pai da Sara e da Heloísa, de sete e 15 anos, Rocha foi ao bairro da zona oeste, às margens da avenida Brasília, após um convite do produtor cultural e biblioteconomista, Leandro Palmerah, 38, um dos idealizadores do projeto “Colorindo a Vida” e cuja segunda etapa foi neste domingo (22). Além dele, outros seis artistas trouxeram suas latas de spray e deixaram suas cores. 


“Eu estava conversando muito com a minha esposa sobre amor de mãe e filho e viemos pintar na quebrada e pra mim a ideia foi pintar um retrato de uma mãe com um filho”, revelou Rocha enquanto suas mãos e braços ainda estavam tomados pela tinta.  




Projeto aprovado no Promic impacta moradores do Nossa Senhora da Paz
Vitor Struck/Grupo FOLHA
 


Trazer um pouco mais de beleza ao bairro, que na maioria das vezes só é lembrado por suas mazelas sociais, foi um objetivo alcançado com o mesmo sentimento retratado no muro. Como se fizessem parte de uma mesma família, os moradores também tiveram acesso à música ao vivo, prestação de serviços, como de cabeleireiros masculino e feminino, e chegaram ao final da tarde com uma apresentação de C Walk, vertente da dança de rua, a especialidade do projeto Passos para o Futuro.  


De acordo com Leandro Palmerah, o projeto “Colorindo a Vida” precisou se adequar em comparação com o seu objetivo inicial devido à pandemia da Covid-19. Patrocinado pelo Promic (Programa Municipal de Incentivo à Cultura), a ideia original incluía oficinas com artistas plásticos e espetáculos de teatro e contação de histórias, tudo voltado para o entretenimento das crianças e jovens do bairro. No entanto, foi preciso dar preferência a ações mais “enxutas” e que não dependessem de artistas que fazem parte do grupo de risco da Covid-19. Porem, nada disso reduziu a alegria dos moradores ao se sentirem abraçados.  


“O Nossa Senhora da Paz tem uma característica muito parecida com o Vista Bela (zona Norte), que é um bairro de periferia, desassistido, onde as oportunidades são escassas, quando não inexistentes. Então a proposta é fazer valer o direito ao acesso à cultura, a cultura do hip-hop, do grafite, todas as artes que são marginalizas, e mostrar o lado político, a transformação social”, avaliou.  


Em um salão de beleza montado na praça, pelo menos 15 moradores puderam relembrar o quanto a vaidade - na medida certa - é um sentimento importante. Parceira do projeto, a empresária londrinense Adriana Jenani, 52, levou produtos de beleza, além de picolés e brindes para as crianças e uma de suas funcionárias, Ane Caroline Rocha, 25, atuou como cabeleireira. A jovem contou que decidiu atender ao convite imediatamente. O motivo não poderia ser outro. Há cerca de um ano passou a sentir mais orgulho do próprio visual e a tarde deste domingo foi a oportunidade perfeita para transmitir este sentimento às meninas de cabelos cacheados como ela.  


“Eu comecei a usar o meu cabelo assim este ano, raspei para ter o cabelo afro. Desde criança eu alisava o cabelo e hoje eu consigo olhar no espelho e me sentir mais linda ainda. Quero passar isso para as crianças. Hoje em dia uma criança consegue olhar no celular, na TV, e se reconhecer, antigamente não tinha”, avaliou.  


A tarde também contou com uma apresentação do violinista e educador musical Breno Castelo Branco, que dividiu o palco, ou melhor, a praça, com sua aluna e moradora do bairro, Ana Luíza Miguel Pires, 10. A menina descobriu o violino há cinco anos, é apaixonada por artes plásticas, e, segundo a mãe, a auxiliar de serviços gerais, Patrícia Maria Miguel, 36, Ana Luíza quer ser "Tarsila do Amaral desde pequena”, contou com alegria. “Eu não sei explicar”, respondeu a menina à reportagem quando questionada sobre como surgiu esta paixão.   


Projeto aprovado no Promic impacta moradores do Nossa Senhora da Paz
Vitor Struck/Grupo FOLHA
 


Enquanto ainda não sabe explicar o que a faz, mesmo tão jovem, ser tão interessada em diferentes linguagens artísticas, Ana Luíza contou que seu sonho é ser uma artista reconhecida.  




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Vitor Struck - Grupo FOLHA
  

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