Projeto apresenta diagnóstico regional
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terça-feira, 04 de agosto de 1998
Lucinéia Parra 
O principal problema apontado pelos moradores dos 29 municípios que fazem parte da Associação dos Municípios do Setentrião Paranaense (Amusep) é a falta de industrialização. Em segundo lugar aparece o desemprego, em seguida a falta de mão-de-obra qualificada e a falta de uma política de incentivo ao pequeno e médio produtor. Na área de prestação de serviços, a comunidade dos municípios pesquisados denunciou principalmente a precariedade do sistema público de saúde. A pesquisa foi realizada pela empresa Perspectiva Consultoria e faz parte do Plano de Desenvolvimento Regional (PDR), um projeto elaborado pela Organização das Nações Unidas que está sendo desenvolvido no Paraná através de um convênio com a Secretaria de Desenvolvimento Urbano.
O PDR tem como objetivo levantar os principais problemas e as principais vantagens de uma região e, a partir daí, traçar um programa de desenvolvimento regional. As principais vantagens na região da Amusep, segundo a comunidade, são a experiência cooperativista e a qualidade de vida. Para detectar problemas e vantagens da região da Amusep, técnicos da Perspectiva Consultoria buscaram três fontes de informações.
Na primeira fase, eles fizeram entrevistas com representantes da comunidade organizada (associações, sindicatos e entidades) e com agentes públicos. Foram entrevistadas 150 pessoas. A segunda fonte de informação foi o serviço de telecidadão, quando 1.200 pessoas escolhidas de forma aleatória apontaram os principais problemas, as vantagens e deram sugestões. Na terceira fase, foi feito um diagnóstico técnico levando em consideração os fatores econômico, social, ambiental, de infra-estrutura, físico-territorial, política institucional e científico-tecnológico dos municípios. Para cada um dos fatores, uma equipe de técnicos trabalhou com dados secundários e de pesquisa de campo.
Com base em todas as informações foi traçado um diagnóstico regional, que foi apresentado ontem a 30 representantes de diversas entidades e segmentos da sociedade. Eles irão validar ou não a pesquisa realizada. Caso seja aprovado pelos representantes, o Plano de Desenvolvimento Regional entra na segunda etapa com a realização de seminários e discussão de ações prioritárias. Neste momento, a comunidade vai revelar o que pretende para a região.
Finalmente na terceira etapa do programa, serão escolhidos os projetos a serem implantados que irão garantir o desenvolvimento regional dentro das necessidades apontadas pela comunidade. O prazo para a apresentação final do PDR para a região da Amusep e da Amop é 18 de dezembro. A idéia, segundo o consultor da Perspectiva Consultora Ricardo Lezana é que a partir da implantação do PDR se crie um Fórum de Desenvolvimento Regional permanente.
Todas as pesquisas realizadas para o PDR estão sendo financiadas pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). A consultora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Tânia Bacelar foi quem apresentou o diagnóstico regional da Amusep. Ela foi ex-secretária de Planejamento e da Fazenda de Pernambuco.
Tânia disse que a principal vantagem do Paraná para a implantação do PDR, é a existência das associações de municípios, uma entidade que não existe nos demais estados brasileiros. Na região da Amusep e da Associação dos Municípios do Oeste do Paraná (Amop), que abrange 45 municípios da região de Cascavel, as vantagens para a implantação do PDR, segundo Tânia, são ainda maiores, já que as duas apresentam melhor infra-estrutura entre as 18 associações municipais do Estado. As duas foram as primeiras que iniciaram as pesquisas junto à comunidade. Em Cascavel, a apresentação do diagnóstico regional será amanhã.


