A remoção das barreiras arquitetônicas está prevista no projeto ‘‘Cidade para Todos’’, proposto pelo Governo Federal e adaptado à realidade de cada município. Em desenvolvimento há três anos em Londrina, o projeto deve ser implantado entre agosto e dezembro. A coordenadoria do programa de portadores de deficiência da Secretaria de Ação Social de Londrina deve enviá-lo ao Governo Federal nos próximos dias.
‘‘Se sair, o projeto vai mudar a cara da Cidade’’, diz a coordenadora do programa, Maria Inez Mazer Barroso. As mudanças previstas englobam o anel central delimitado pelas avenidas Juscelino Kubitscheck, Leste-Oeste e Duque de Caxias.
Segundo Maria Inez, essa delimitação foi feita porque a região concentra todos os serviços básicos. São 1.572 pontos de rebaixamento de calçadas, sendo quatro pontos em cada esquina; 80 sinaleiros sonoros; adaptação em 25 banheiros de escolas municipais, postos de saúde, hospitais, do Fórum, Prefeitura, Biblioteca Pública e Câmara dos Vereadores; lugares para cadeirantes no Zerão, estádio do Café, ginásio Moringão e teatro Zaqueu de Melo e instalação de rampa metálica na Câmara, Prefeitura e Biblioteca Pública Municipal.
O projeto está orçado em R$ 439.935,75. A maior parte da verba vem da Coordenadoria Nacional de Integração da Pessoa Portadora de Deficiência (Corde). A Prefeitura entra com uma pequena contrapartida, ainda em definição.
A Secretaria de Ação Social da Prefeitura de Londrina já enviou o projeto para Brasília, segundo Maria Inez, outras duas vezes. Em 1995, chegou em Brasília quando o orçamento já estava fechado. Na segunda vez, a justificativa do Governo Federal para devolvê-lo novamente foi o período eleitoral e posterior troca de prefeito.
Maria Inez Mazer Barroso afirma que naquela época foi pedido adequação do projeto junto à nova equipe administrativa municipal. ‘‘Só não enviamos antes, dessa vez, porque esperávamos a definição do novo secretário de Educação’’, diz Maria Inez. Segundo ela, como envolve mudanças na rede municipal de educação e de saúde, o projeto precisava ser conhecido pelas duas secretarias antes de ser aprovado. O novo secretário de Educação, José Dorival Peres, tomou posse na sexta-feira.
O transporte coletivo urbano também deve passar por adequação ainda este ano. A intenção da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb) é que o início da adequação aconteça a partir de agosto. O trabalho faz parte de um programa para melhoria em todo o sistema de transporte coletivo.
A Comurb está realizando um estudo, a partir de informações da Secretaria de Ação Social, para identificar todas as alterações necessárias e viáveis.
Na administração passada, estudo semelhante foi feito em conjunto com a Associação dos Deficientes Físicos de Londrina (Adefil). O estudo, de acordo com o presidente da Adefil, Élder Sene, traça um itinerário especial e prevê a construção de terminal exclusivo de conexão atrás do Hospital Evangélico (área central). Os deficientes teriam quatro linhas principais, com dois ônibus por linha. A adequação dos ônibus inclui, a partir do estudo, três vagas para cadeiras de rodas e elevador hidráulico.
Apesar das particularidades, toda a estrutura não seria apenas para deficientes. ‘‘Essa integração serviria até para minimizar o preconceito’’, alega Sene. Há 14 anos na presidência da Adefil, Sene afirma que a luta pela adequação do transporte foi iniciada há cerca de cinco anos. ‘‘Nem adianta implantar o projeto ‘Cidade para Todos’ se o deficiente não tem como vir para o Centro, já que a maioria não tem dinheiro para usar táxi. O ônibus é problema sério.’’
(Edmara Michetti)

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