Foi publicado no dia 5 deste mês, no Diário Oficial da União, o decreto de cumprimento do acordo entre Brasil e Paraguai para a construção da segunda ponte internacional sobre o Rio Paraná. De acordo com o decreto 6.676, os países se comprometem a continuar as atividades referentes à execução da obra entre as localidades de Foz do Iguaçu e Puerto Presidente Franco, no país vizinho.
A norma leva em conta o significativo fluxo de passageiros e cargas que passa diariamente pela ponte que liga Foz a Ciudad del Este, além do interesse recíproco em promover a integração física dos territórios brasileiro e paraguaio. A construção deve começar em um ano e custará US$ 60 milhões. A nova ponte será destinada ao tráfego de caminhões pesados e ficará a cerca de 160 quilômetros da Ponte da Amizade, por onde os veículos leves continuarão a cruzar a fronteira.
Para o arquiteto Nilso Rafagnin, do Movimento Terra Guarani, o anúncio da nova ponte vem em boa hora e acende a discussão sobre a criação de um modelo de desenvolvimento para a tríplice fronteira. ''Devemos aproveitar o entusiasmo do governo para questionar se o modelo atual é o que expressa quem somos de verdade e o que queremos para o futuro dos três países.''
Segundo o arquiteto, três parques ambientais, anel viário trinacional, plano de desenvolvimento regional integrado e sustentado para a região são algumas das metas do Projeto Águas Grandes, idealizado pelo Movimento Terra Guarani em parceria com a ONG Fundação Iguassu.
No projeto, conforme o arquiteto, ainda está prevista a geração de 6 mil empregos diretos e 30 mil indiretos, ''reconvertendo o atual modelo excessivamente centrado na informalidade''.
Inicialmente, explicou Rafagnin, o projeto sugere a construção de um anel viário trinacional para contornar e interligar Argentina, Brasil e Paraguai. O anel passaria ainda pelos três grandes aeroportos internacionais dos três países, interconectando os sistemas de transporte hidroaéreo e rodoferroviário regional, transformando a região num ''grande centro logístico e turístico da América do Sul'', descreveu o arquiteto.
Outra proposta, conforme Rafagnin, é a constituição de um órgão multilateral que tem por objetivo reunir a sociedade civil e os três níveis de governo da tríplice fronteira para definir a política de desenvolvimento regional integrado, ''tendo como base e sustentação a participação pública na tomada de decisão''. Como pontapé inicial, Rafagnin prevê a realização de um fórum em Foz do Iguaçu, em março do próximo ano.
''A nova ponte é apenas um fator. Queremos propor a discussão de um novo modelo de desenvolvimento, que priorize investimentos na qualidade comercial e ambiental da região pelos próximos 40 anos'', comentou o arquiteto, ressaltando que a proposta imediata das ONGs é distanciar a construção da nova ponte em 20 quilômetros do local onde está prevista a instalação: ''lá o acesso aos três países se dá naturalmente, formando um anel que ligaria a região''.
Rafagnin lembrou que as primeiras idéias de criação de uma política de investimento unificada para a tríplice fronteira nasceu em 2005, durante o Manifesto do Iguaçu, quando a comunidade se reuniu no marco das três fronteiras para debater o Mercosul e outras questões fronteiriças.
''Propomos que o projeto seja financiado pela iniciativa privada, até porque a descoincidência dos mandatos presidenciais dos países ameaça o futuro harmônico da iniciativa. A partir do debate seria criado um plano de negócios que determinaria como as ações seriam colocadas em prática'', concluiu o arquiteto.

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