Uma moda ''estranha'' está atraindo adolescentes de Londrina usar como pingente cápsulas, projéteis ou balas de armas de fogo. O adereço, colocado em correntes, é usado pelos adolescentes para chamar a atenção. E eles conseguem. A principal indagação de quem vê o pingente é onde se conseguiu aquilo.
Um estudante, de 17 anos, que pediu para não ser identificado, usa uma bateria antiaérea calibre ponto 50, com capacidade para derrubar um avião, como acessório. Ele também possui uma bala de calibre 22, outra de calibre 44 e de pistola AR-15, as duas últimas exclusivas das Forças Armadas e de algumas polícias do país, e também costuma usá-las como pingente. Todas não detonadas.
Segundo o estudante, a bateria antiaérea foi comprada em um mercado de pulgas em São Paulo, e o restante dos projéteis, ele ganhou de um parente que pratica tiro. ''Vi, em São Paulo, algumas pessoas usando balas como pingentes e achei interessante. Uso mais por chamar atenção, todo mundo quer saber o que é'', afirmou. Segundo ele, não se preocupei em saber que os objetos são usados em armas e que podem matar. Mas, o adolescente acredita que outros jovens usem o objeto como demostração de poder: ''É para se impor. Para não andar com um revólver na cintura, anda com uma bala pendurada no pescoço'', afirmou.
Um professor da rede estadual de educação, que também não quer ser identificado, vê com preocupação a ''moda''. ''Já questionei esses jovens e eles acham bonito colocar isso no pescoço. Que tipo de valores eles tem?'', questionou. Esse professor já identificou pelo menos três alunos, da mesma escola, que usam o adereço. Segundo o professor, os alunos teriam ganho os projéteis de amigos do bairro onde moram, no assentamento São Jorge (zona oeste).
De acordo com o comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM), tenente-coronel Rubens Guimarães de Souza, não há nada que proíba os jovens de usar balas como acessórios de moda, mas ele se preocupa em como estão sendo adquiridas. ''A AR-15 é uma arma proibida, e as outras munições tem compra controlada '', disse.
O delegado adjunto da 10Subdivisão Policial, Jurandir Gonçalves André, não vê a moda como problema. ''Na maioria, as cápsulas já estão deflagradas, legalmente não há problema. O que é proibido é portar armas de fogo'', afirmou.

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