Proibir instalação de clínica é preconceito, diz entidade
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sábado, 04 de janeiro de 2003
Giovana Kindlein<br> Reportagem Local 
A Associação Londrinense de Saúde Mental manifestou ontem seu repúdio contra a tentativa do grupo de moradores de impedir a instalação do Centro de Atenção Psicosocial (Caps) na Rua das Açucenas, no Jardim Colina Verde. ''Isto é discriminação, é preconceito e fere os direitos fundamentais do ser humano, previstos na Constituição Brasileira'', considerou a presidente da entidade, Káthia Nemeth Perez.
Segundo ela, os usuários do Caps não podem ser impedidos de transitarem livremente pelas ruas da cidade, contestando a alegação dos moradores de que o funcionamento do órgão aumentaria o movimento e o fluxo de pessoas na Rua das Açucenas. ''A rua é pública ou não é?'', questionou Káthia. Ela também demonstrou indignação quanto à obtenção na Justiça de uma liminar favorável aos moradores. A prefeitura ficou impedida de mudar o Caps para o bairro.
''O juiz precisa ouvir o outro lado da história'', observou.
As opiniões se dividem. De outro lado, os moradores do Colina Verde, bairro de clásse média alta, apóiam a iniciativa da ação na Justiça. O advogado Diógenes Barros disse que é contrário à instalação do Caps no bairro porque o ato viola o Código de Posturas do Município. ''Devemos obediência à lei. Se não se obedece nada, vira uma bagunça'', comentou. Ele disse também que não está discriminando ninguém e que apenas é favorável às normas. A oficial de Justiça Federal, Márcia Kovacs, que também mora na rua, salientou: ''Qualquer pessoa que comprasse um imóvel em zona residencial gostaria que esta situação não se modificasse''.
Outros profissionais ligados à área de saúde mental também consideraram o ato discriminatório. ''Temos sofrido inúmeras situações de preconceito deste tipo'', comentou a diretora do Centro Ocupacional de Londrina (Col), Rosângela Marques Busto. A entidade funciona há 14 anos na Rua das Açucenas. ''É um bairro difícil e complicado. Para nós, é extremamente positiva e conveniente a vinda do Caps para cá'', destacou Rosângela. A diretora do Col acha que as pessoas deveriam parar de continuar segregando a população carente nas periferias e favelas da cidade. ''Elas precisam ter contato com a realidade'', sugeriu.


