A água mineral comercializada em saquinhos de um litro sumiu do mercado em Londrina desde o final da semana passada. O motivo é uma portaria federal que proíbe a venda do produto em recipientes plásticos com menos de um milímetro de espessura. A portaria é antiga, mas empresários do setor entraram com diversos recursos na Justiça, adiando o cumprimento das determinações do Ministério da Saúde.
A grande diferença entre a água vendida em saquinho e aquela vendida em garrafa plástica ou vidro é o preço. Enquanto no primeiro caso cada litro saía por volta de R$ 0,15, na garrafa ele não fica por menos de R$ 0,40. A opção mais barata, depois da nova medida, têm sido os galões de policarbonato impermeável, com 20 litros cada. A reposição de cada galão é vendido em supermercados, ou diretamente pelos distribuidores, por R$ 3,50; empatando em preço com os fardos de saquinhos com a mesma quantidade. Mas a aquisição do galão e do suporte pode custar até R$ 25,00.
Se aparentemente a água mineral ficou mais difícil de comprar ou mais cara, por outro está mais segura. ‘‘O problema do plástico é que existe o risco de ele ser ‘batizado’, ou seja, ser reutilizado. Com isso, ele pode até trazer resíduos de produtos tóxicos’’, alerta Rudney Martins da Silveira, proprietário de uma distribuidora de água na cidade. Além da reutilização de material não reciclável, outro problema muito comum é o plástico interferir no gosto da água, principalmente quando ele é exposto ao Sol.
Para Silveira, os galões de policabornato vão substituir os saquinhos com maior segurança e até conforto, já que muitas distribuidoras fazem a entrega do produto na casa do cliente. ‘‘A vantagem é que o galão é retornável e esterilizado em 110 graus. Por isso, acredito que no fim todos acabam ganhando’’, observa Silveira. Mas ele admite que no caso das garrafas plásticas - que vão de 300 mililitros até cinco litros - o preço acaba subindo bastante em função dos custos de recipiente, que não é retornável.
‘‘Creio que daqui para frente o pessoal vai chiar bastante, porque estava acostumado a comprar a água no saquinho’’, acredita o gerente de vendas Humberto Bontchak, do supermercado Muffatão do Com-Tour, zona oeste da Cidade. Segundo ele, eram comercializados no local cerca de dois mil litros de água em saquinho por semana e a tendência, a partir de agora, é que esse número caia bastante.
A solução, para alguns estabelecimentos, será fornecer água mineral também em galões de policarbonato, com o kit completo, além das garrafas plásticas. Este é o caminho adotado pelo Viscardi, que tem 13 lojas em Londrina. O gerente de vendas Antônio Trindade explica que também vendia cerca de dois mil litros por semana em saquinhos e a expectativa é que obtenha, já no próximo verão, o mesmo resultado com os galões.
O gerenciador de bebidas do Carrefour em Londrina, Ismael Assofra, tem mais cautela ao analisar a mudança no segmento. Ele conta que o hipermercado vendia aproximadamente 70 mil litros por mês de água em saquinhos, de duas marcas diferentes, e que esse número já caiu muito. ‘‘É diferente, quase ninguém tem ainda suporte nem galão para levar a água’’, explica. No momento, são vendidos aproximadamente 120 galões de 20 litros por mês no local e a expectativa é que essa marca melhore aos poucos.
A Folha tentou contatar diversas vezes o Ministério da Saúde, em Brasília (DF), para especificar qual portaria teria proibido a venda da água mineral e saquinho e desde quando. Mas o telefone do Ministério só dava sinal de ocupado.

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