Proibição de cursos paralelos gera polêmica
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quarta-feira, 29 de setembro de 2004
Adriana Savicki<br> REportagem Local 
Pais e alunos de escolas estaduais de Londrina estão revoltados com uma resolução do Núcleo Regional de Educação (NRE), que proibiu aulas particulares dentro dos estabelecimentos de ensino. Algumas escolas mantinham cursos paralelos, fora do horário escolar, de judô, ginástica, dança entre outras atividades. Para o NRE a atividade é ilegal.
A proibição, segundo o chefe do NRE, Rony dos Santos Alves, foi motivada após o órgão receber reclamações de pais sobre quatro escolas da cidade. ''Os pais denunciaram que seus filhos queriam participar dos cursos e se sentiam lesados e constrangidos com a cobrança'', afirma.
Alves argumenta, ainda, que a sublocação de espaços públicos para atividades particulares é ilegal. ''Acompanhamos um caso de um professor que ganhava R$ 1,6 mil por mês com as aulas, mais que nossos professores da rede, sem nenhuma contrapartida à escola'', comenta. Ele não sabe dizer quantas das 72 escolas mantinham esses cursos.
A Associação de Pais e Mestres (APM) do Colégio Vicente Rijo, que até anteontem dispunha de cinco cursos paralelos, discorda. Segundo o presidente da entidade, Gilfredo de Souza e Silva, os cursos teriam rendido vários benefícios à escola. ''O pessoal do judô reformou uma sala inteira'', diz. Uma pista de caminhada também teria sido construída com esses recursos. Ele afirmou, entretanto, que o repasse direto à APM renderia apenas R$ 40. Segundo um professor, apenas 20% do valor das mensalidades era revertido à escola.
Os pais também reclamam da supressão dos cursos. Ronise Ferreira, 33 anos, é mãe de um dos alunos do judô. Ela argumenta que o valor da mensalidade, R$ 25, e o fato das aulas serem na própria escola facilitavam a participação do filho. ''O governo não consegue pagar essas coisas e quando nos mobilizamos vem uma coisa dessas'', diz. Os alunos reforçam o coro. ''Não tem outro lugar para treinar, aqui era mais fácil, quando acaba a aula a gente vinha para cá, acho que não vou fazer mais'', diz o estudante Raul Valente Neto, 13 anos.
O professor de futsal Arlindo Neto, 23 anos, dá aulas no colégio há dois anos. ''Vamos ter que parar porque a única opção prevista na lei é um convênio com o Paraná Esportes ou o Segundo Tempo que só aceita estagiários '', diz.
Esses projetos são apontados pelo chefe do NRE como a solução do problema. ''Não estamos proibindo as aulas, só a cobrança, basta as escolas procurarem essas parcerias, a Fundação de Esportes de Londrina, por exemplo, tem um leque gigante de opções para esse tipo de atividade extra, só não podemos deixar a escola virar um negócio'', finaliza.


