Proibição de corte aumenta inadimplência
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segunda-feira, 08 de abril de 2002
Sid SauerEquipe da Folha 
Campo Mourão - A inadimplência com a Sanepar em Campo Mourão já chega a 17% neste mês, um recorde na empresa. O índice é atribuído à liminar concedida em outubro do ano passado que proibiu a companhia de saneamento de cortar o fornecimento de água dos contribuintes com contas atrasadas. Antes da decisão judicial, a inadimplência era de 2%.
O gerente da Sanepar em Campo Mourão, Roberto Takashina, informou ontem que a dívida dos usuários já chega a R$ 700 mil, praticamente o faturamento de um mês da empresa na cidade. Estamos inviabilizados. Se fôssemos uma empresa municipal, estaríamos quebrados, ressaltou.
Segundo Takashina, antes da liminar, além da inadimplência ser bem menor, a dívida acabava sendo paga para que o fornecimento de água fosse retomado, o que não vem ocorrendo mais. Um levantamento já mostrou o contrário: os consumidores inadimplentes estão aumentando o consumo de água.
Uma das preocupações da Sanepar é com os imóveis alugados. A empresa chegou a divulgar um alerta aos proprietários para que tomem cuidado com inquilinos que estariam deixando de pagar a conta de água motivados pela liminar. Outro problema da Sanepar é a impossibilidade de suspender o fornecimento em imóveis fechados.
Todos estão sendo prejudicados porque a dívida está aumentando e ficando cada vez mais difícil de ser paga, disse Takashina. A liminar também vale para outros três municípios da comarca Janiópolis, Luiziana e Farol. O Tribunal de Justiça entendeu que a Sanepar tem meios de fazer a cobrança e não pode fazer justiça privada.
Taxa mínima - A Sanepar não está obedecendo a lei municipal que acabou com a cobrança da taxa mínima em Campo Mourão. De acordo com a lei, o consumidor deve pagar somente pela água consumida e não obrigatoriamente os 10 mil litros cobrados pela empresa. A Sanepar alega que segue leis superiores. A taxa mínima é de R$ 12,25 (R$ 22,05 com esgoto).
Um novo projeto em tramitação na Câmara de Vereadores promete uma polêmica ainda maior. Os vereadores Edoel Rocha (PSDB) e Sebastião Ribeiro (PT) querem a separação das tarifas de água e de esgoto. A proposta já passou por uma comissão especial com 11 votos, dois a mais do que o necessário para aprovação em plenário.


