Proibição de armas causa ceticismo
Especial para a Folha
Autoridades policiais, comerciantes de armas e entidades de defesa dos direitos humanos vêem com ceticismo a iniciativa do governo e de deputados federais que querem proibir, por meio de lei, a venda de armas em todo o País. Os argumentos são vários. Comerciantes alegam que a proibição de venda vai desarmar apenas as vítimas, uma vez que os bandidos continuarão a usar armas ilegais. Entidades civis, por outro lado, acreditam que a causa da violência não é o armamento da população, mas sim a situação de miséria e desigualdade social existente no País.
Narciso Pires, coordenador do Movimento Nacional de Direitos Humanos, diz que não é contra o projeto, mas acha que o problema da violência deve ser discutido de modo mais abrangente e não resumido a uma lei que venha proibir o uso de armas. É preciso chamar a comunidade para se discutir o problema da violência e tomar medidas concretas que minimizem o problema da miséria, da desigualdade, da exclusão social, diz ele, que não acredita que a redução do número de armas venha a diminuir a violência. Nos Estados Unidos existem 250 milhões de armas e um índice de oito homicídios por ano para cada 100 mil habitantes, e no Brasil há 5 milhões de armas (conforme declaração do ministro da Justiça, Renan Calheiros) e um índice de 29,17 homicídios por 100 mil habitantes. Quer dizer, os Estados Unidos são quatro vezes menos violento que o Brasil apesar de ter 50 vezes mais armas do que aqui.
Segundo o delegado chefe da Delegacia de Explosivos, Armas e Munições (Deam), Osmar Tadeu Cardoso, lembra que quem compra uma arma precisa apresentar documentos e fazer o registro. Com isso, é muito difícil uma arma com porte estar envolvida em alguma ocorrência policial. Existem hoje, no Paraná, cerca de 130 mil armas registradas legalmente, segundo a Deam.
O vendedor de armas Paulo César Andrade, da loja Az de Espadas, segue o mesmo argumento. Quem tem arma legal, quando se envolve em alguma ocorrência, é vítima e não bandido, diz. Prova que a venda de armas não tem relação com o aumento da violência, segundo ele, é a queda nas vendas, nos últimos anos, enquanto os crimes aumentaram. Em 94, São Paulo registrou a venda legal de 42 mil armas, contra apenas 6 mil em 98. No mesmo período, segundo a Secretaria da Segurança, triplicou o número de armas ilegais na capital paulista.
No Paraná as vendas também caíram. Passaram de 4.519 em 97, para 2.761 no ano passado. As estatísticas sobre os crimes, neste período, fazem uma curva inversa. O número de homicídios, entre 1994 e 97, aumentou 39,18%, chegando a uma taxa de 29,17 para cada 100 mil habitantes por ano. Proibindo a compra de arma legal, você desarma quem morre e não quem mata. Desarma a vítima e não o bandido, finaliza.Arquivo FolhaClandestinasAs armas irregulares apreendidas pela polícia são armazenadas em depósito da Deam, em CuritibaMaigue Gueths





